Uma tentativa de fraude buscou transferir a filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do PT para o Democracia Cristã (DC). Uma ficha foi preenchida no sistema interno da legenda com dados pessoais verdadeiros do petista, mas o cadastro foi identificado antes de ser encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o presidente nacional do DC, João Caldas, o documento apresentava informações como nome completo, data e local de nascimento, filiação, números do RG, CPF e título eleitoral. O endereço informado foi “Vila Presidencial”, em Brasília.
A direção partidária afirmou que Lula não solicitou ingresso no DC e que ainda não foi possível identificar o responsável pelo preenchimento. Como o registro foi barrado pelo próprio partido, a filiação do presidente ao PT não chegou a ser alterada oficialmente no sistema da Justiça Eleitoral.
O episódio ocorreu em meio à descoberta de outra fraude envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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Filiação indevida de Flávio
No caso de Flávio Bolsonaro, a alteração foi concluída no sistema Filia, do TSE. O senador apareceu como integrante do partido Missão, apesar de estar filiado ao PL desde novembro de 2021.
A irregularidade impediu temporariamente o registro da candidatura presidencial de Flávio pelo PL. Após ser acionado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o cancelamento do vínculo com o Missão e o restabelecimento da filiação ao partido de origem.
O TSE informou que a mudança não foi provocada por invasão ao sistema da Justiça Eleitoral, mas pelo uso indevido de credenciais pertencentes à legenda. O Missão, por sua vez, afirmou que também foi vítima da fraude e declarou ter identificado um endereço de IP associado ao cadastro, supostamente localizado em Belo Horizonte.
Sistema tem processamento suspenso
Diante dos episódios, o TSE suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações partidárias no sistema Filia. Os pedidos ainda poderão ser enviados, mas permanecerão pendentes até a conclusão das verificações de segurança.
A Corte declarou que a paralisação não prejudicará os candidatos das eleições de 2026, uma vez que o prazo mínimo de filiação exigido para concorrer terminou em abril.
Nunes Marques também determinou a preservação dos registros de acesso ao sistema e o encaminhamento do caso envolvendo Flávio Bolsonaro para investigação. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral Eleitoral deverão apurar a autoria e as circunstâncias da adulteração.
A tentativa envolvendo Lula foi interrompida no ambiente interno do DC e, portanto, não chegou a modificar os registros do TSE. As informações são do Poder360.
