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Derrota de “O Agente Secreto” no Oscar: o que explica, e qual o impacto para o cinema brasileiro?

O Brasil saiu de mãos abanando da cerimônia do Oscar 2026. O filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, concorria a quatro estatuetas: Melhor Filme, Filme Internacional, Direção de elenco e Ator para Wagner Moura, mas não levou nenhuma. E a quinta indicação brasileira da noite, a do diretor de fotografia Adolpho Veloso pelo filme “Sonhos de Trem”, também não foi premiada.

Muitas pessoas desde então se perguntam sobre o que isso poderia representar para o cinema brasileiro, após a vitória no ano anterior de “Ainda Estou Aqui” como Filme Internacional. Bem, em primeiro lugar há alguns fatores que explicam o fato de “O Agente Secreto” não ter ganhado, especificamente como Filme internacional.

Primeiro, a Neon, distribuidora do filme nos Estados Unidos, é a mesma que distribuiu o filme que acabou ganhando, o drama norueguês “Valor Sentimental”. Essa produção tinha vantagens em relação ao longa brasileiro: teve número maior de indicações ao Oscar, recebeu mais investimento da distribuidora em divulgação, e tem atores mais conhecidos do público votante da Academia (na sua maioria, norte-americano) do que o filme de Mendonça Filho. Tudo isso acabou rendendo uma maior projeção para ele. Além disso, é preciso reconhecer que se trata, sim, de um grande filme, e quando o Brasil ganhou com “Ainda Estou Aqui”, a concorrência de modo geral tinha um nível mais fraco do que os concorrentes de 2026.

E nas demais categorias, a de direção de elenco e ator, não havia como “O Agente Secreto” superar o fenômeno “Pecadores”, produção importante para Hollywood e que foi um grande sucesso de crítica e público. Não se pode esquecer que o Oscar é, no fim das contas, um prêmio da indústria hollywoodiana. Só o fato de um filme brasileiro chegar lá, e com tanto destaque, já é uma enorme façanha. E para além do Oscar, vale lembrar, “O Agente Secreto” teve uma trajetória internacional incrível, sendo indicado e ganhando prêmios por todo o mundo.


Leia mais:

Oscar: como funciona o processo de votação da Academia de Hollywood?

Dados da Ancine: “O Agente Secreto” fez sucesso, mas público dos cinemas caiu em 2025


O impacto para o cinema nacional

Mas para além disso, permanece aquela velha discussão: brasileiro não se valoriza perante o mundo. É o nosso “complexo de vira-lata”. Ainda nos sentimos inferiorizados e em busca de reconhecimento estrangeiro quando nos destacamos, seja no esporte, nas artes ou em vários outros campos.

O fato é que o cinema brasileiro está num momento de grande ascensão perante o mundo. Todos querem ver produções do Brasil, que mostrem a nossa cara, nossas paisagens e a nossa diversidade de culturas e pontos de vista. Isso fica claro toda vez que artistas e cineastas do Brasil são premiados ou aplaudidos lá fora: aconteceu várias vezes de Wagner Moura ser reverenciado sempre que aparecia nessa temporada de premiações, inclusive no Oscar.

Também se notou que uma vitória no Oscar ajuda o brasileiro a valorizar seu próprio cinema: Ora, em 2024/2025, “Ainda Estou Aqui” sozinho representou 32% da bilheteria dos filmes nacionais, levando quase 6 milhões de pessoas às salas. Por um lado isso é louvável, mas por outro fica claro o quanto o grande público foi às salas não para ver filme nacional, mas só “Ainda Estou Aqui”. Às vezes a impressão é que o brasileiro se importa menos com o seu cinema, e mais com a aprovação estrangeira dele, e com os likes e bagunça das redes sociais. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

E também é uma pena ver gente torcendo contra o filme ou zombando da derrota de “O Agente Secreto”. Seja a qual campo político você pertença, o filme levou nossa cara e nossa cultura para o mundo, e isso deveria também ser valorizado. Exportar cultura é um processo que faz parte de qualquer país desenvolvido e deveria ser tratado com prioridade por qualquer governo. Afinal, a indústria audiovisual no Brasil contribui mais para o PIB do país que a indústria farmacêutica, por exemplo. Enfim, de novo ainda resta um longo caminho…

Próximos filmes brasileiros que podem se destacar internacionalmente

Para 2027, já começam a despontar filmes nacionais que podem disputar prêmios importantes e, quiçá, também o Oscar. “Feito Pipa” foi exibido no Festival de Berlim com muitos elogios e traz uma história que fala de infância; “Vicentina Pede Desculpas”, novo drama do mesmo diretor do premiado “Marte Um”; “100 Dias”, biografia do navegador Amyr Klink pelo diretor Carlos Saldanha, que tem projeção internacional; “Corrida dos Bichos”, novo trabalho de Fernando Meirelles, do clássico “Cidade de Deus”, que é um projeto desenvolvido para o streaming do Prime Video…

Algum deles vai repetir o sucesso e impacto de “Ainda Estou Aqui” ou “O Agente Secreto”? Ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa é certa, com ou sem Oscar, o importante é que mais pessoas assistam e valorizem o cinema brasileiro, que é sim um dos melhores do mundo, por mais que nós mesmos ainda precisemos de ajuda para reconhecer isso.

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O Brasil saiu de mãos abanando da cerimônia do Oscar 2026. O filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, concorria a quatro estatuetas: Melhor Filme, Filme Internacional, Direção de elenco e Ator para Wagner Moura, mas não levou nenhuma. E a quinta indicação brasileira da noite, a do diretor de fotografia Adolpho Veloso pelo filme “Sonhos de Trem”, também não foi premiada.

Muitas pessoas desde então se perguntam sobre o que isso poderia representar para o cinema brasileiro, após a vitória no ano anterior de “Ainda Estou Aqui” como Filme Internacional. Bem, em primeiro lugar há alguns fatores que explicam o fato de “O Agente Secreto” não ter ganhado, especificamente como Filme internacional.

Primeiro, a Neon, distribuidora do filme nos Estados Unidos, é a mesma que distribuiu o filme que acabou ganhando, o drama norueguês “Valor Sentimental”. Essa produção tinha vantagens em relação ao longa brasileiro: teve número maior de indicações ao Oscar, recebeu mais investimento da distribuidora em divulgação, e tem atores mais conhecidos do público votante da Academia (na sua maioria, norte-americano) do que o filme de Mendonça Filho. Tudo isso acabou rendendo uma maior projeção para ele. Além disso, é preciso reconhecer que se trata, sim, de um grande filme, e quando o Brasil ganhou com “Ainda Estou Aqui”, a concorrência de modo geral tinha um nível mais fraco do que os concorrentes de 2026.

E nas demais categorias, a de direção de elenco e ator, não havia como “O Agente Secreto” superar o fenômeno “Pecadores”, produção importante para Hollywood e que foi um grande sucesso de crítica e público. Não se pode esquecer que o Oscar é, no fim das contas, um prêmio da indústria hollywoodiana. Só o fato de um filme brasileiro chegar lá, e com tanto destaque, já é uma enorme façanha. E para além do Oscar, vale lembrar, “O Agente Secreto” teve uma trajetória internacional incrível, sendo indicado e ganhando prêmios por todo o mundo.


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Mas para além disso, permanece aquela velha discussão: brasileiro não se valoriza perante o mundo. É o nosso “complexo de vira-lata”. Ainda nos sentimos inferiorizados e em busca de reconhecimento estrangeiro quando nos destacamos, seja no esporte, nas artes ou em vários outros campos.

O fato é que o cinema brasileiro está num momento de grande ascensão perante o mundo. Todos querem ver produções do Brasil, que mostrem a nossa cara, nossas paisagens e a nossa diversidade de culturas e pontos de vista. Isso fica claro toda vez que artistas e cineastas do Brasil são premiados ou aplaudidos lá fora: aconteceu várias vezes de Wagner Moura ser reverenciado sempre que aparecia nessa temporada de premiações, inclusive no Oscar.

Também se notou que uma vitória no Oscar ajuda o brasileiro a valorizar seu próprio cinema: Ora, em 2024/2025, “Ainda Estou Aqui” sozinho representou 32% da bilheteria dos filmes nacionais, levando quase 6 milhões de pessoas às salas. Por um lado isso é louvável, mas por outro fica claro o quanto o grande público foi às salas não para ver filme nacional, mas só “Ainda Estou Aqui”. Às vezes a impressão é que o brasileiro se importa menos com o seu cinema, e mais com a aprovação estrangeira dele, e com os likes e bagunça das redes sociais. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

E também é uma pena ver gente torcendo contra o filme ou zombando da derrota de “O Agente Secreto”. Seja a qual campo político você pertença, o filme levou nossa cara e nossa cultura para o mundo, e isso deveria também ser valorizado. Exportar cultura é um processo que faz parte de qualquer país desenvolvido e deveria ser tratado com prioridade por qualquer governo. Afinal, a indústria audiovisual no Brasil contribui mais para o PIB do país que a indústria farmacêutica, por exemplo. Enfim, de novo ainda resta um longo caminho…

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Ivanildo Pereira
Ivanildo Pereira
Repórter de política na Rede Onda Digital, jornalista formado pela Faculdade Martha Falcão Wyden. Política, economia e artes são seus maiores interesses.

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