“Michael”, a cinebiografia do cantor Michael Jackson (1958-2009), o “Rei do Pop” e uma das figuras mais culturalmente importantes do século XX, já está fazendo muito sucesso nas salas de cinema. No fim de semana passado, estreia do filme, ele arrecadou 97 milhões de dólares na bilheteria americana e mais 218 milhões ao redor do mundo, caminhando para se tornar a cinebiografia de maior sucesso de todos os tempos.
O filme traz um recorte bem específico da vida do artista, mostrando a sua infância e juventude, seus problemas com o pai e vai até o lançamento do álbum “Thriller” de 1982, o mais vendido da História e que transformou Michael Jackson num fenômeno global.
No entanto, críticos do filme tem afirmado que a produção deixou de fora algo que mancha o legado de Jackson até hoje, as acusações de abuso sexual e conduta imprópria contra crianças e jovens que conviveram com ele ao longo dos anos. O filme originalmente abordaria o começo das acusações contra o artista, e cenas mostrando o rancho Neverland, de propriedade do cantor, sendo revistado pela polícia chegaram a ser gravadas. No entanto, os produtores do longa cortaram essas cenas e modificaram o final do filme, informação que foi confirmada pelo próprio diretor da produção, Antoine Fuqua.
Vamos relembrar aqui a polêmica que não diminui.
Primeira acusação: 1993
Naquele ano, Michael Jackson foi acusado pelos pais do menino Jordan Chandler, que à época tinha 13 anos, de abusar sexualmente da criança. O cantor negou a acusação e o pai do menino chegou a ser gravado em fita afirmando que iria “arruinar a carreira do cantor com um plano”. Policiais fizeram buscas no rancho Neverland, que pertencia ao astro, mas não encontraram evidências incriminadoras e nenhum tipo de pornografia infantil.
Jackson não chegou a ser formalmente acusado pela polícia, e o assunto foi decidido fora dos tribunais, com pagamento de indenização milionária. Ainda assim, a reputação dele ficou abalada e a turnê do seu álbum HIStory teve de ser encurtada devido a problemas de saúde do cantor. Àquela época, Jackson já tinha começado a se viciar em analgésicos e remédios.
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Novas acusações: 2003
Em entrevistas ao longo dos anos, Jackson admitiu ter convivência próxima com seus fãs em Neverland e que dividia a cama com crianças. Mas sempre negou qualquer contexto sexual.
Em novembro de 2003, a polícia de Santa Barbara, na Califórnia, indiciou Jackson em sete acusações de abuso sexual contra crianças que o denunciaram, e em duas acusações de embebedar menores com bebida alcóolica. Ele negou as alegações, mas o caso foi a julgamento. Em 2005, Jackson foi absolvido de todas as acusações. O FBI, a polícia federal americana, investigou Jackson e não encontrou provas de conduta criminosa por parte do artista.
Morte de Michael Jackson
Após o julgamento, o cantor ficou cada vez mais recluso. Michael Jackson morreu em 2009 aos 50 anos, em decorrência de overdose de drogas. Conrad Murray, seu médico, foi acusado de fornecer remédios controlados para o cantor. Murray foi condenado e sentenciado a quatro anos de prisão em 2011, mas cumpriu apenas 1 ano e onze meses da pena.
Em 2013, o coreógrafo Wade Robson acusou Jackson de abusá-lo quando ele tinha 7 anos. Um ano depois, James Safechuck também veio a público acusar o artista de abuso sexual, ocorrido quando James tinha 10. Os dois foram tema do documentário da HBO “Deixando Neverland”, lançado em 2019 e que causou grande comoção quando foi lançado. Ao longo dos anos, outros documentários sobre o cantor e as alegações também foram produzidos.
Recentemente, “Deixando Neverland” foi removido do streaming do HBO Max em todo o mundo, devido à batalha legal entre a produtora e os administradores do espólio de Jackson, que continua até hoje.