A Seleção Brasileira enfrenta a Noruega, neste domingo (5), no MetLife Stadium, em New Jersey, estado de Nova York, pela fase de oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2026, com um fantasma de 1m95cm, 88kg, 71 gols em 77 partidas da temporada 2025/2026, e cinco gols marcados em três partidas desta copa, rondando a área dominada por Gabriel Magalhães e Marquinhos.
Trata-se aqui do atacante Erling Braut Haaland, um norueguês cujos hábitos alimentares contrastam totalmente com a tradicional gastronomia do país nórdico.
Enquanto marca gols e acumula recordes no futebol europeu, Haaland revelou que consome gostosamente fígado e coração bovino e toma leite cru como parte de uma dieta de seis mil calorias diárias. O padrão indicado por nutricionistas brasileiros é o consumo de, no máximo, 2 mil calorias diárias.
Haaland já afirmou que procura consumir alimentos pouco processados e ricos em nutrientes, incluindo carnes, ovos, leite, frutas e vísceras bovinas. Especialistas em nutrição esportiva reconhecem que fígado e coração são fontes de ferro, vitaminas do complexo B e proteínas, mas ressaltam que a dieta do atacante atende às exigências de um atleta de elite e não deve ser reproduzida sem acompanhamento profissional.
A gastronomia norueguêsa
A cozinha norueguesa, por sua vez, foi construída ao longo de séculos em torno da pesca, da criação de ovinos e do cultivo de produtos adaptados ao clima do País. O resultado é uma culinária baseada em peixes, cordeiro, batatas, laticínios e técnicas tradicionais de conservação de alimentos.
Entre os pratos considerados símbolos nacionais está o Färikäl, preparado com carne de cordeiro, repolho, sal e grãos de pimenta-do-reino cozidos lentamente. A receita é tradicionalmente servida durante o outono e foi escolhida em diferentes pesquisas como o prato nacional da Noruega.

Outro destaque é o Pinnekjött, feito com costelas de cordeiro salgadas e secas, consumidas principalmente nas celebrações de Natal. Também fazem parte da tradição as Kjöttkaker, almôndegas servidas com molho, verduras e geleia de frutas vermelhas, além dos Raspeballer, bolinhos preparados com batata ralada.


Entre os alimentos mais característicos do país está o Brunost, queijo marrom produzido a partir do soro do leite caramelizado. O produto costuma ser servido em fatias sobre pães, torradas e waffles.
Bacalhau: Quando a Noruega encontra a cozinha brasileira
Mas se existe um ingrediente que ajuda a definir a identidade gastronômica da Noruega, esse ingrediente é o bacalhau. O peixe acompanha a história econômica e alimentar do país desde a Idade Média e continua presente tanto na mesa dos moradores quanto nas exportações.

Boa parte da produção utiliza o chamado skrei, variedade de bacalhau-do-Atlântico que migra anualmente das águas geladas do Mar de Barents até a costa das Ilhas Lofoten para o período de reprodução. A pesca ocorre entre janeiro e abril, quando milhares de embarcações participam da temporada.
Depois de capturado, o bacalhau pode seguir diferentes processos. Uma das formas mais tradicionais é a produção do Stockfish, conhecido como bacalhau seco. Os peixes são pendurados em estruturas de madeira ao ar livre e permanecem por semanas ou meses secando apenas com a ação do vento frio e do clima da região, sem utilização de sal. Outra parte da produção recebe salga antes da secagem, originando o bacalhau salgado consumido em diversos países.

A Noruega figura entre os maiores exportadores mundiais de bacalhau e abastece mercados na Europa, na América do Sul e na Ásia. Curiosamente, o Brasil, adversário deste domingo na Copa do Mundo, está entre os principais compradores do pescado, especialmente para o consumo durante a Semana Santa e as festas de fim de ano.
No território norueguês, porém, o bacalhau aparece em diferentes preparações durante todo o ano. Pode ser servido fresco, assado, cozido ou transformado em pratos tradicionais como o Lutefisk, preparado a partir do peixe seco reidratado, e o Rakfisk, feito com truta fermentada, outro exemplo das técnicas de conservação desenvolvidas antes da refrigeração.
A mesa norueguesa também reserva espaço para salmão, arenque, cavala, camarões e caranguejos, refletindo a relação histórica do país com o mar.
Nesse contexto, a dieta de Haaland representa mais uma estratégia individual voltada ao esporte de alto rendimento do que um retrato da culinária nacional. Enquanto o atacante chama atenção pelo consumo de vísceras bovinas, a tradição gastronômica da Noruega continua tendo nos peixes, especialmente o bacalhau, um de seus principais símbolos culturais e econômicos.
