Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Falsa normalidade e negacionismo impulsionaram segunda onda de Covid-19 no Amazonas

Em meados de janeiro de 2021, a professora de Língua Portuguesa Raissa Floriano aguardava informações sobre o estado de saúde do pai, Afonso Barão Batista, no pátio do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, zona Centro-Sul de Manaus, junto a familiares de outros pacientes internados com Covid-19. Ele havia sido diagnosticado com síndrome respiratória aguda e apresentava baixa saturação de oxigênio.

Naquele dia, o estoque de oxigênio no hospital registrou níveis críticos devido à demanda crescente, e a equipe de enfermagem começou a diminuir o fornecimento do insumo aos pacientes para evitar um apagão. As acompanhantes que se recusaram a aceitar a medida foram retiradas do local.

“Pedimos forças pra que nossos parentes aguentassem a chegada dos cilindros. Mas a única notícia que chegava eram os papéis de óbito. Um atrás do outro, e toda vez um susto, pois achávamos que a próxima vez seria do seu parente“, conta Raissa.

Leia mais:

Deputado diz que Aziz também tem responsabilidade por crise no AM

Em segredo, Paulo Gustavo doou R$500 mil para compra de oxigênio em Manaus

 

Após pedir ajuda a amigos, Raissa conseguiu comprar um cilindro de oxigênio, cujos preços chegavam a R$ 3 mil. “Pedi pra dividir com outro paciente que acabou falecendo antes de receber o insumo“, relata.

O pai de Raissa sobreviveu, mas acabou desenvolvendo uma fibrose pulmonar. Um ano depois do colapso no Amazonas, a professora avalia que a falsa noção de segurança foi a principal causa de uma das piores crises na saúde pública do estado.

“Havia uma propaganda de normalidade muito forte, e as pessoas ignoravam o perigo, faziam aglomerações. As escolas já estavam funcionando, empresas promoviam festas de final de ano, tudo a pleno vapor. E essa propaganda de normalidade dificultava que a gente conseguisse deixar nossos idosos em casa”, pondera.

Crise

Naquele mês, o Amazonas registrou 3.166 mortes por Covid-19. O índice supera as notificações de óbito pela doença em abril e maio de 2020, no início da pandemia, quando 2.850 morreram no estado, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas  Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirma que a responsabilidade pelo colapso pode ser atribuída a diversos agentes da sociedade civil – governos, população e médicos que optaram pelo negacionismo e ignoraram os erros cometidos na primeira onda.

“Destacaria a testagem restrita, a falta de fiscalização do uso de máscaras e de  aglomerações. Não combateram as fake news do tratamento precoce e da imunidade de rebanho pela via natural, e não aceitaram que Manaus já vivia numa segunda onda em setembro de 2020″, explica. “E ainda não implementaram um Sistema de Verificação de Óbitos”.

Hoje, o Brasil registra novo aumento de casos de Covid-19 e de influenza impulsionados pelas festas de fim de ano. Apesar da segurança proporcionada pelas vacinas, que impedem casos graves e óbitos em larga escala, a história ensina que o combate a uma nova doença deve ser orientada pela cautela e atenção às orientações de especialistas.

 

Daniel Amorim, da redação

 

- Publicidade -[adrotate group="7"]

Em meados de janeiro de 2021, a professora de Língua Portuguesa Raissa Floriano aguardava informações sobre o estado de saúde do pai, Afonso Barão Batista, no pátio do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, zona Centro-Sul de Manaus, junto a familiares de outros pacientes internados com Covid-19. Ele havia sido diagnosticado com síndrome respiratória aguda e apresentava baixa saturação de oxigênio.

Naquele dia, o estoque de oxigênio no hospital registrou níveis críticos devido à demanda crescente, e a equipe de enfermagem começou a diminuir o fornecimento do insumo aos pacientes para evitar um apagão. As acompanhantes que se recusaram a aceitar a medida foram retiradas do local.

“Pedimos forças pra que nossos parentes aguentassem a chegada dos cilindros. Mas a única notícia que chegava eram os papéis de óbito. Um atrás do outro, e toda vez um susto, pois achávamos que a próxima vez seria do seu parente“, conta Raissa.

Leia mais:

Deputado diz que Aziz também tem responsabilidade por crise no AM

Em segredo, Paulo Gustavo doou R$500 mil para compra de oxigênio em Manaus

 

Após pedir ajuda a amigos, Raissa conseguiu comprar um cilindro de oxigênio, cujos preços chegavam a R$ 3 mil. “Pedi pra dividir com outro paciente que acabou falecendo antes de receber o insumo“, relata.

O pai de Raissa sobreviveu, mas acabou desenvolvendo uma fibrose pulmonar. Um ano depois do colapso no Amazonas, a professora avalia que a falsa noção de segurança foi a principal causa de uma das piores crises na saúde pública do estado.

“Havia uma propaganda de normalidade muito forte, e as pessoas ignoravam o perigo, faziam aglomerações. As escolas já estavam funcionando, empresas promoviam festas de final de ano, tudo a pleno vapor. E essa propaganda de normalidade dificultava que a gente conseguisse deixar nossos idosos em casa”, pondera.

Crise

Naquele mês, o Amazonas registrou 3.166 mortes por Covid-19. O índice supera as notificações de óbito pela doença em abril e maio de 2020, no início da pandemia, quando 2.850 morreram no estado, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas  Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirma que a responsabilidade pelo colapso pode ser atribuída a diversos agentes da sociedade civil – governos, população e médicos que optaram pelo negacionismo e ignoraram os erros cometidos na primeira onda.

“Destacaria a testagem restrita, a falta de fiscalização do uso de máscaras e de  aglomerações. Não combateram as fake news do tratamento precoce e da imunidade de rebanho pela via natural, e não aceitaram que Manaus já vivia numa segunda onda em setembro de 2020″, explica. “E ainda não implementaram um Sistema de Verificação de Óbitos”.

Hoje, o Brasil registra novo aumento de casos de Covid-19 e de influenza impulsionados pelas festas de fim de ano. Apesar da segurança proporcionada pelas vacinas, que impedem casos graves e óbitos em larga escala, a história ensina que o combate a uma nova doença deve ser orientada pela cautela e atenção às orientações de especialistas.

 

Daniel Amorim, da redação

 

- Publicidade -[adrotate group="9"]
Jornalismo
Jornalismo
Equipe de jornalismo do portal Rede Onda Digital.

Mais lidas

Agenda cultural: confira os eventos para curtir em Manaus neste fim de semana

Manaus terá uma programação diversificada neste fim de semana, entre sexta-feira (25) e domingo (27). A agenda reúne shows musicais, festivais culturais, exposições, apresentações...

Eleições 2026: veja os horários de votação em cada município do Amazonas

Mais de 2,8 milhões de eleitores do Amazonas estarão aptos a votar no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Por...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Açãfrão não é tudo igual: entenda as diferenças na cozinha

Especiarias são usadas na culinária há séculos, mas duas delas costumam provocar confusão no Brasil. O açafrão verdadeiro e a cúrcuma, conhecida também como...

Vila de Paricatuba ganha rota turística e novas atrações neste sábado (26)

A Vila de Paricatuba, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, recebe neste sábado (26/9) uma programação especial voltada ao turismo, à história e...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Anvisa proíbe lotes de remédio usado contra esclerose múltipla

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, nesta sexta-feira (25/9), a comercialização de dois lotes do medicamento Ocrevus (ocrelizumabe) 300 mg/10 ml, utilizado...

Muito além das fábricas: história da ZFM ganha espaço para chegar às salas de aula

Estudantes do Amazonas poderão ter a Zona Franca de Manaus (ZFM) como parte da formação escolar. A Lei nº 7.348, de 14 de janeiro...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Agenda cultural: confira os eventos para curtir em Manaus neste fim de semana

Manaus terá uma programação diversificada neste fim de semana, entre sexta-feira (25) e domingo (27). A agenda reúne shows musicais, festivais culturais, exposições, apresentações...

Eleições 2026: veja os horários de votação em cada município do Amazonas

Mais de 2,8 milhões de eleitores do Amazonas estarão aptos a votar no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Por...

Açãfrão não é tudo igual: entenda as diferenças na cozinha

Especiarias são usadas na culinária há séculos, mas duas delas costumam provocar confusão no Brasil. O açafrão verdadeiro e a cúrcuma, conhecida também como...

Vila de Paricatuba ganha rota turística e novas atrações neste sábado (26)

A Vila de Paricatuba, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, recebe neste sábado (26/9) uma programação especial voltada ao turismo, à história e...

Anvisa proíbe lotes de remédio usado contra esclerose múltipla

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, nesta sexta-feira (25/9), a comercialização de dois lotes do medicamento Ocrevus (ocrelizumabe) 300 mg/10 ml, utilizado...

Muito além das fábricas: história da ZFM ganha espaço para chegar às salas de aula

Estudantes do Amazonas poderão ter a Zona Franca de Manaus (ZFM) como parte da formação escolar. A Lei nº 7.348, de 14 de janeiro...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]