Manaus registra níveis preocupantes de poluição atmosférica nesta segunda-feira (12/10), feriado de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças. Dados das estações reais de monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicam qualidade do ar nas categorias “Péssima” e “Muito Ruim” em diferentes pontos da capital amazonense.
Entre os registros informados, a concentração de material particulado fino (MP2,5) chegou a 218,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em pontos da região do Coroado, Zumbi e Armando Mendes. Outros locais, como Aleixo, Coroado e áreas do Jorge Teixeira, também apresentaram índices acima de 150 µg/m³.
Na região metropolitana, o Careiro da Várzea registrou 131,6 µg/m³. Já em bairros como Cachoeirinha, Morro da Liberdade, Petrópolis, Nossa Senhora das Graças, Compensa, São Jorge, Parque 10, Chapada e Distrito Industrial, os valores informados variaram de 87,5 a 120,1 µg/m³.
O menor índice entre os pontos destacados foi de 73,2 µg/m³, em uma área próxima ao Aeroporto Internacional de Manaus, no entorno de Tarumã e Redenção. Conforme os dados apresentados, nenhuma das estações urbanas citadas registrou qualidade do ar nas categorias “Boa” ou “Moderada” no momento das medições.

Fumaça e queimadas agravam a poluição
O cenário ocorre durante o período de estiagem na Amazônia, quando as queimadas contribuem para aumentar a concentração de fumaça na atmosfera. O transporte de partículas pelo vento pode levar a poluição de áreas com focos de incêndio para centros urbanos, enquanto condições atmosféricas desfavoráveis à dispersão mantêm os poluentes próximos à superfície.
No Amazonas, a ocorrência de queimadas no sul do estado e em municípios próximos à capital pode contribuir para a piora da qualidade do ar em Manaus e na região metropolitana. A confirmação da origem da fumaça e da contribuição de cada área, porém, depende de dados específicos de monitoramento ambiental.
Partículas finas oferecem riscos à saúde
O material particulado fino MP2,5 é formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição a concentrações elevadas pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e falta de ar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Diante dos índices informados, a recomendação é reduzir a exposição à fumaça e evitar exercícios físicos intensos ao ar livre enquanto a qualidade do ar permanecer comprometida. Também é indicado manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes e priorizar ambientes com ar mais limpo.
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Quando for necessário sair, máscaras do tipo PFF2 ou N95 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas devem ter atenção redobrada. Em caso de falta de ar intensa ou agravamento dos sintomas, é importante procurar atendimento de saúde.
As condições podem mudar ao longo do dia. Por isso, a população deve acompanhar as atualizações das estações de monitoramento do SELVA e as orientações dos órgãos ambientais e de saúde.
Reforço
No final de semana, o governo federal mobilizou ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, diante do avanço das queimadas e da piora da qualidade do ar em Manaus. A operação reúne 11 aeronaves, incluindo dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), além de equipes de brigadistas e apoio de órgãos federais. A Força Nacional do SUS também foi acionada para reforçar o atendimento à população afetada pela fumaça.
A mobilização ocorre após o reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios amazonenses, medida que permite agilizar o acesso a recursos da União para enfrentar os incêndios.
