Com a elevação das temperaturas e os períodos de calor intenso registrados em diversas regiões do país, pessoas que sofrem com enxaqueca devem redobrar os cuidados para evitar o agravamento das crises. Fatores como desidratação, baixa umidade do ar e exposição prolongada ao sol podem funcionar como gatilhos para a doença, que afeta milhões de brasileiros.
Segundo o médico Carlos Trindade, especialista em Clínica da Dor, o calor extremo não provoca a enxaqueca diretamente, mas cria condições que favorecem o aparecimento das crises.
“O calor sobrecarrega a regulação da temperatura do corpo e interfere no equilíbrio de líquidos e sais minerais. Mesmo uma desidratação leve pode estimular mecanismos que ativam a dor em pessoas predispostas”, explica.
A recomendação é manter a hidratação ao longo de todo o dia, sem esperar sentir sede, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e permanecer, sempre que possível, em ambientes ventilados ou climatizados.
Além do calor, outros fatores também podem desencadear crises de enxaqueca. Entre eles estão jejum prolongado, estresse, alterações hormonais, sono irregular, determinados alimentos, odores fortes e exposição intensa à luz.
De acordo com o especialista, manter uma rotina de sono é um dos cuidados mais importantes para quem convive com a doença.
“O cérebro da pessoa com enxaqueca é muito sensível às mudanças na rotina. Dormir pouco, dormir demais ou alterar frequentemente os horários pode ser suficiente para desencadear uma crise”, afirma.
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Como diferenciar enxaqueca de uma dor de cabeça comum
Embora muitas pessoas tratem a enxaqueca como uma simples dor de cabeça, a doença possui características específicas. Enquanto a dor tensional costuma provocar uma sensação de aperto dos dois lados da cabeça, com intensidade leve ou moderada, a enxaqueca geralmente apresenta dor pulsátil, frequentemente concentrada em apenas um lado, de maior intensidade e acompanhada por sintomas como náuseas, sensibilidade à luz e aos sons.
O médico orienta que a procura por atendimento especializado é indicada quando as crises se tornam frequentes, comprometem as atividades diárias ou exigem o uso constante de analgésicos. Também é necessária avaliação médica imediata em casos de dor de cabeça súbita e intensa ou quando o quadro vem acompanhado de febre, rigidez no pescoço ou alterações neurológicas.
Doença afeta milhões de brasileiros
Dados do estudo Global Burden of Disease, publicado na revista científica The Lancet, apontam que a enxaqueca atinge mais de 31 milhões de brasileiros em idade produtiva, sendo mais comum entre as mulheres. A doença figura entre as principais causas de perda de dias de trabalho no mundo e, quando não tratada adequadamente, pode evoluir para um quadro crônico.
Carlos Trindade destaca que o uso excessivo de analgésicos também representa um fator de risco para a cronificação da doença.
“Hoje existem diversas opções de tratamento, desde medicamentos preventivos até terapias mais modernas, capazes de reduzir a frequência e a intensidade das crises. A enxaqueca é uma doença neurológica e não deve ser encarada como uma dor de cabeça comum”, conclui.
