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Guerreiras ou sobrecarregadas? Os desafios de conciliar carreira e maternidade

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Guerreiras ou sobrecarregadas? Os desafios de conciliar carreira e maternidade
Foto: Pixabay

Ser mãe solo já é desafiador, agora, imagine conciliar isso com uma carreira profissional que exige esforço, determinação e disciplina. Essa é a realidade de Flávia Moura, jornalista, 2ª tenente da Força Aérea Brasileira (FAB), estudante de Direito e mãe de dois filhos pequenos.

“É tudo muito corrido. Eu sou mãe de dois, então é tudo meio que cronometrado. Pela manhã eles estudam, aí a gente tem que ali organizar fardamento, fazer lancheira, colocar dentro do carro, vai para a escola, depois volta, faz tarefa, depois brinca. Então, tudo tem um horário”, conta Flávia. Entre trabalho, faculdade e treinos físicos obrigatórios da carreira militar, cada minuto precisa ser planejado.

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O que mais dói, segundo ela, é a ausência durante o dia. “Olha, eu vou te confessar que o momento mais difícil é quando eu saio de casa, e eles já estão na escola, e quando eu volto, eles estão dormindo. Então, ao longo do meu dia, no meu intervalo, por exemplo, no almoço, eu praticamente atravesso a cidade para que eu possa pelo menos almoçar com eles”, revela.


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A militar confessa que se cobra muito, tanto como mãe quanto como mulher. Quando fala sobre como se enxerga nessa realidade, ela evita rótulos como “guerreira” ou “sobrecarregada” e prefere uma definição mais simples: uma mãe dedicada.

“Eu me dedico, eu me considero uma mãe dedicada. Mas sabe o que acontece? É que geralmente a mãe, ela se cobra muito. Às vezes a gente está muito tempo ali com o filho, eu vou assim, poxa, eu queria extravasar um pouco. E eu saio e eu me sinto mal depois. Eu falei, ‘poxa, eu acho que esse tempinho eu poderia ter ficado com eles’, entendeu?”, comenta ela.

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Ela também revelou que enfrentou preconceito e desafios no trabalho devido à maternidade. “Infelizmente, a mulher passa por isso quando ela volta da licença-maternidade ou até mesmo quando ela dá a notícia de que ela está grávida. Parece que o mercado ali já não aceita, já não vê com bons olhos”, afirma.

Mesmo diante das dificuldades, Flávia é enfática ao afirmar que cada conquista tem um valor especial em sua trajetória, desde apresentar um telejornal, atuar na comunicação da FAB, concluir a faculdade, o mestrado e até, claro, criar os filhos.

“Você sabe que eu tenho a ideia de comemorar as pequenas conquistas?! Até as maiores. Mas eu levo em consideração toda a minha carreira…Então, para mim, o que eu sou hoje foi por muitas conquistas que eu tive lá atrás”, finaliza.

A realidade vivida por mulheres como Flávia não é isolada. Segundo o Censo Demográfico 2022, do IBGE, o Brasil tem cerca de 7,8 milhões de famílias chefiadas por mães solo, o que representa aproximadamente 13,4% dos lares do país.

No Amazonas, mais de 100 mil famílias são lideradas por mulheres sozinhas, correspondendo a cerca de 12,1% dos domicílios.

Entre essas mulheres está Janeyce Costa, formada em Administração e estudante de Direito, que vive na prática os desafios da maternidade solo. Com uma rotina intensa, ela precisa dividir o tempo entre trabalho, estudos, cuidados com a filha e as tarefas de casa.

“Minha rotina é intensa e exige muita organização. Eu preciso conciliar trabalho, estudos, cuidados com minha filha, tarefas domésticas e ainda encontrar tempo para mim, o que nem sempre é possível. Cada dia é um desafio diferente, mas também é gratificante ver minha filha crescer e saber que estou dando o meu melhor”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal

Janeyce revela que o momento mais difícil da sua trajetória foi após a perda do pai da criança, quando precisou assumir sozinha todas as responsabilidades. “Ter que assumir todas as responsabilidades sozinha, tanto emocionais quanto financeiras. Tomar decisões importantes sem ter com quem dividir o peso, lidar com o cansaço e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade emocional exige muita força”, relata.

Apesar de hoje conseguir equilibrar melhor a rotina, ela lembra que nem sempre foi assim. “Hoje meu trabalho me possibilita estar presente nas reuniões ou eventos ou quando tenho qualquer imprevisto devido à saúde dela”, diz.

Foto: Arquivo Pessoal

Para Janeyce, é preciso mudar a forma como a sociedade enxerga a maternidade solo. “A maternidade solo não é uma escolha fácil e nem deve ser romantizada. Mães solos precisam de apoio, respeito e políticas públicas que facilitem sua vida, como escolas acessíveis e seguras, horários de trabalho flexíveis e oportunidades justas. Acima de tudo, é importante reconhecer a força dessas mães, mas sem ignorar as dificuldades reais que enfrentam”, afirma.