Dormir em um ambiente iluminado pode fazer mais do que atrapalhar uma boa noite de sono. Um estudo publicado no JAMA Network Open revelou que a exposição à luz durante a noite está associada a um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.
A pesquisa analisou dados de quase 89 mil adultos com mais de 40 anos, acompanhados por cerca de oito anos. Os participantes faziam parte do UK Biobank, um amplo banco de dados do Reino Unido, e tiveram a exposição à luz monitorada por sensores usados no pulso durante uma semana, capazes de medir a luminosidade real do ambiente.
Risco maior para doenças do coração
Segundo os resultados, pessoas que dormiam em quartos mais iluminados apresentaram um risco 56% maior de desenvolver insuficiência cardíaca, 47% maior de sofrer infarto e 30% maior para doenças como AVC, doença arterial coronariana e fibrilação atrial, em comparação com quem dormia em ambientes escuros.
Especialistas destacam que os números chamam atenção porque a intensidade desse aumento de risco é semelhante à observada em fatores tradicionais, como hipertensão leve não tratada ou tabagismo moderado. Embora a iluminação noturna não substitua esses fatores, ela pode atuar em conjunto, elevando ainda mais as chances de problemas cardiovasculares.
Como a luz interfere na saúde
Os pesquisadores explicam que a principal ligação entre a luz noturna e o coração está no ritmo circadiano, o relógio biológico responsável por regular funções do organismo ao longo do dia e da noite.
Quando o corpo é exposto à luz durante o período em que deveria estar no escuro, a produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar o momento de descansar, é reduzida. Com isso, o organismo permanece em estado de alerta, mantendo a frequência cardíaca elevada e impedindo a queda natural da pressão arterial durante o sono.
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Ao longo do tempo, esse desequilíbrio pode favorecer processos inflamatórios e aumentar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
Luz afeta mesmo quem tem hábitos saudáveis
Outro ponto destacado pelo estudo é que a associação entre luz noturna e doenças cardíacas permaneceu mesmo após considerar fatores como alimentação, prática de exercícios físicos e tempo de sono.
Isso indica que dormir em um ambiente iluminado pode representar um fator de risco independente para a saúde do coração, afetando principalmente a qualidade do sono.
Quais luzes devem ser evitadas?
Os pesquisadores alertam que qualquer fonte de iluminação pode interferir no descanso, incluindo:
- Luz do teto;
- Televisão ligada;
- Abajures;
- Iluminação que entra pela janela;
- Luzes de aparelhos eletrônicos;
- Telas de celulares, tablets e computadores.
Entre todas, a luz azul emitida por telas é considerada uma das mais prejudiciais ao ritmo circadiano.
Mulheres e pessoas mais jovens podem ser mais sensíveis
A pesquisa também observou que os efeitos da iluminação noturna foram mais intensos entre mulheres e participantes mais jovens, na faixa dos 40 anos.
Segundo especialistas, o sistema circadiano feminino pode ser mais sensível às alterações provocadas pela luz devido à influência hormonal. Já nos adultos mais jovens, a maior transparência do cristalino facilita a entrada da luz azul nos olhos, potencializando seus efeitos sobre o organismo.
Medidas simples podem ajudar
Embora o estudo seja observacional e não comprove uma relação direta de causa e efeito, os pesquisadores afirmam que pequenas mudanças na rotina podem contribuir para reduzir a exposição à luz durante a noite.
Entre as recomendações estão:
- Dormir em um quarto completamente escuro;
- Utilizar cortinas blackout;
- Usar máscara para os olhos, quando necessário;
- Evitar o uso de celulares, computadores e televisão antes de dormir;
- Retirar aparelhos eletrônicos do quarto sempre que possível.
Pessoas com hipertensão, doenças cardiovasculares ou que trabalham em turnos devem ter atenção redobrada, já que são mais vulneráveis aos efeitos da desregulação do ciclo circadiano.
