Com o envelhecimento da população global, as previsões científicas apontam para um cenário preocupante: o número de pessoas com demência deve dobrar nos próximos 25 anos. Mas uma pesquisa conduzida pela Universidade de Lund, na Suécia, traz uma mensagem esperançosa: cerca de 45% dos casos podem ser atribuídos a fatores de risco que estão ao nosso alcance modificar por meio do estilo de vida.
Os sete vilões do cérebro
O estudo analisou 494 participantes e isolou sete fatores específicos que impactam diretamente a saúde cerebral e podem ser controlados. São eles:
- Colesterol alto e pressão arterial elevada: ambos causam danos aos vasos sanguíneos, interrompendo o fluxo de oxigênio para áreas vitais da memória;
- Tabagismo e consumo de álcool: hábitos que aceleram o envelhecimento celular e as lesões vasculares;
- Qualidade do sono e depressão: fatores ligados ao equilíbrio químico e à regeneração do cérebro;
- Morar sozinho (isolamento social): a falta de interação social é apontada como um risco significativo para o declínio cognitivo.
Como esses hábitos afetam o cérebro
Os pesquisadores monitoraram proteínas-chave associadas à doença de Alzheimer e outras demências: a beta-amiloide, que forma placas no cérebro, e a tau, que interrompe a função celular.
As descobertas revelaram conexões surpreendentes com condições metabólicas. O diabetes, por exemplo, foi associado a um acúmulo mais rápido de beta-amiloide. A hipótese é que a resistência à insulina dificulta a “limpeza” dessa proteína no cérebro.
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Já em relação ao peso corporal, o estudo identificou um fenômeno curioso: enquanto a obesidade é um risco conhecido, um índice de massa corporal (IMC) muito baixo na terceira idade também foi ligado ao acúmulo da proteína tau, possivelmente afetando regiões que controlam o apetite e o metabolismo cerebral.
Prevenção começa cedo
Segundo Sebastian Palmqvist, autor do estudo e professor de neurologia da Universidade de Lund, focar nesses fatores vasculares e metabólicos ajuda a reduzir os danos cerebrais que ocorrem simultaneamente.
A pesquisa reforça a importância do monitoramento precoce de doenças cardiovasculares e da adoção de hábitos saudáveis. Uma dieta equilibrada, como a mediterrânea, rica em vegetais, grãos integrais e gorduras boas, combinada à prática regular de exercícios físicos, pode melhorar drasticamente as habilidades cognitivas em populações de risco.
A mensagem dos pesquisadores é clara: as mudanças adotadas hoje são o melhor caminho para garantir um cérebro saudável no futuro. Enquanto a ciência busca tratamentos e curas, a prevenção continua sendo a ferramenta mais poderosa contra a demência.