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Jambo pede espaço: por que a fruta ainda é pouco aproveitada na culinária local?

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Jambo pede espaço: por que a fruta ainda é pouco aproveitada na culinária local?
Fruta de origem asiática, o jambo está presente na paisagem urbana de cidades da região Norte

Quem passa pela avenida do Turismo, nas imediações do Aeroporto Internacional de Manaus Eduardo Gomes, sabe que, entre os meses de novembro e fevereiro, uma fina camada cor-de-rosa domina a escuridão do asfalto. É a florada dos jambeiros, árvore que dá um fruto muito apreciado pelos amazonenses, mas ainda com pouca presença nas preparações gastronômicas dos restaurantes do Estado.

O jambo é uma fruta de perfume marcante e sabor delicado e ocupa um lugar curioso na gastronomia brasileira. Embora não figure entre as mais consumidas do país, é reconhecido por quem cresceu em regiões onde a árvore faz parte da paisagem urbana e dos quintais. De casca fina e polpa aquosa, o fruto chama atenção pela textura crocante e pelo aroma floral que lembra rosas, característica que o diferencia de outras frutas tropicais.

A flor do jambeiro
A florada dos jambeiros, entre novembro e fevereiro, costuma colorir vias públicas de Manaus

Originário do Sudeste Asiático, o jambo se adaptou bem ao clima quente e úmido do Brasil. Há diferentes variedades, sendo as mais conhecidas o jambo-rosa e o jambo-vermelho. Visualmente, destacam-se pelo formato que lembra pequenas peras e pela coloração vibrante. No paladar, apresentam sabor suave, levemente adocicado, e alta concentração de água — o que faz da fruta uma escolha refrescante, especialmente em dias de calor intenso.

Na cozinha, o jambo é versátil, embora ainda subaproveitado. O consumo in natura continua sendo a forma mais comum, valorizando sua leveza e frescor. No entanto, chefs e confeiteiros vêm explorando novas aplicações, sobretudo em preparações que ressaltam seu aroma e sua acidez discreta.

Compotas, geleias e doces cristalizados revelam outra dimensão da fruta, intensificando o sabor e prolongando sua vida útil. Em sobremesas, pode aparecer em caldas, sorvetes e mousses, nas quais o perfume natural agrega complexidade sensorial.

Frutos do jambeiro
O jambo tem origens no sudeste asiático, mas se adaptou bem ao clima quente e úmido da região Norte

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Combinações para além do senso comum

Na gastronomia contemporânea, o jambo também encontra espaço em propostas autorais. Seu perfil aromático harmoniza bem com ingredientes cítricos, ervas frescas e especiarias suaves. Em pratos salgados, surge ocasionalmente em saladas, chutneys ou como acompanhamento de proteínas leves, como peixes e aves. A crocância da polpa contrasta com texturas cremosas e pode trazer frescor a composições mais densas.

Além da culinária, o jambo carrega valor afetivo e cultural. Em várias cidades brasileiras, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a fruta remete à memória da infância, colhida diretamente do pé e consumida sem formalidade. Essa relação entre território, lembrança e sabor tem despertado o interesse de cozinheiros que buscam resgatar ingredientes negligenciados e inseri-los em narrativas gastronômicas mais amplas.

Embora ainda distante do protagonismo comercial de frutas como manga ou goiaba, o jambo continua despertando curiosidade. Seja pelo aroma singular, pela estética vibrante ou pelo potencial culinário, a fruta mantém seu espaço como ingrediente de identidade própria, pronto para ser redescoberto nas mesas e cozinhas do país.