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Não é só fome: o que realmente bagunça o humor quando o estômago ronca

Quem nunca ficou irritado, impaciente ou de mau-humor depois de passar horas sem comer? Por muito tempo, a explicação era simples, a queda do açúcar no sangue. Mas novas evidências científicas mostram que o problema está mais na mente do que no metabolismo.

Um estudo da Universidade de Bonn, na Alemanha, acompanhou 90 adultos saudáveis durante quatro semanas. Os participantes usaram sensores contínuos de glicose e responderam, duas vezes ao dia, a questionários sobre humor, fome e saciedade.

Os resultados indicaram que níveis baixos de glicose só pioram o humor quando a pessoa percebe conscientemente a fome. Quando a queda de energia não era sentida, o impacto emocional praticamente desaparecia.
“Não é o nível de glicose em si que melhora ou piora o humor, mas o quanto essa falta de energia é percebida”, explicam os autores.

Como respostas primordiais do cérebro reagem à fome

Pesquisas em neurociência evolutiva, como as do antropólogo Daniel Lieberman, de Harvard, mostram que nosso cérebro trata a fome como um “alarme de sobrevivência”. Nos ancestrais caçadores-coletores, essa percepção motivava a busca por comida em ambientes hostis.

 


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Hoje, em meio a fast food, iFood e horários caóticos, o mesmo mecanismo ativa respostas primitivas no hipocampo e na amígdala. O resultado é que ficamos irritadiços ou ansiosos só por pular o almoço, ou esperar a comida chegar.

(Foto: Reprodução/internet)

O efeito é mais evidente em pessoas com maior capacidade de perceber sinais internos do corpo, como fome, respiração ou batimentos cardíacos, uma habilidade conhecida como interocepção. Elas apresentam menos oscilações de humor, pois conseguem ajustar hábitos antes que o desconforto emocional aumente, funcionando como um verdadeiro amortecedor emocional.

A descoberta ajuda a explicar por que algumas pessoas lidam melhor com a fome do que outras e abre espaço para novas estratégias em saúde mental. Treinamentos focados em consciência corporal podem auxiliar no controle de oscilações emocionais associadas ao metabolismo.

O estudo foi feito apenas com adultos saudáveis. Novas pesquisas ainda são necessárias para entender se os mesmos padrões se repetem em pessoas com transtornos mentais, obesidade ou doenças metabólicas, como diabetes.

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Quem nunca ficou irritado, impaciente ou de mau-humor depois de passar horas sem comer? Por muito tempo, a explicação era simples, a queda do açúcar no sangue. Mas novas evidências científicas mostram que o problema está mais na mente do que no metabolismo.

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