Passar horas no trabalho sem ter novos desafios, repetir as mesmas tarefas todos os dias e sentir que aquilo que você faz não tem impacto pode parecer apenas falta de motivação. Mas esse conjunto de sinais ganhou um nome: boreout, um quadro associado ao tédio prolongado e à falta de estímulo no ambiente profissional.
O tema chama atenção em um momento de baixo envolvimento dos trabalhadores com suas atividades. Segundo o State of the Global Workplace: 2026 Report, da Gallup, 64% das pessoas empregadas no mundo estavam não engajadas em 2025, enquanto 20% apareciam como engajadas.
Na prática, isso representa trabalhadores que continuam cumprindo suas obrigações, mas sem necessariamente encontrar interesse, desafio ou sentido no que fazem.
O que é boreout?
O boreout está relacionado à falta de estímulo no trabalho. A pessoa pode ter emprego, cumprir a jornada e entregar suas tarefas, mas passar longos períodos em uma rotina que oferece poucos desafios ou oportunidades de aprendizado.
Um exemplo é o trabalhador que aprende rapidamente todas as funções do cargo e, depois de alguns meses, passa a repetir diariamente as mesmas atividades, sem perspectivas de mudança ou crescimento.
Com o tempo, o tédio pode vir acompanhado de desmotivação, queda de interesse, sensação de inutilidade e distanciamento das atividades profissionais.
O termo boreout vem do inglês bored, que significa “entediado”. O conceito foi apresentado em 2007 pelos consultores suíços Philippe Rothlin e Peter Werder, que relacionaram o problema à subutilização das capacidades profissionais.
Por que o assunto chama atenção entre jovens?
A discussão ganhou espaço nas conversas sobre a Geração Z no mercado de trabalho, principalmente diante da busca por aprendizado, desenvolvimento profissional e maior significado nas atividades realizadas.
Isso não significa que o boreout seja exclusivo dos jovens. O problema pode atingir trabalhadores de diferentes idades quando existe uma combinação prolongada de rotina, pouca autonomia, falta de desafios e ausência de perspectivas.
Boreout é o mesmo que burnout?
Não. Apesar de os nomes serem parecidos, os fenômenos estão associados a situações diferentes.
Enquanto o burnout está relacionado ao estresse crônico provocado pelo trabalho, o boreout aparece principalmente em contextos de tédio, subutilização e falta de estímulo.
Em ambos os casos, porém, a perda de motivação e o sofrimento relacionado ao trabalho podem comprometer a qualidade de vida.
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Como identificar os sinais?
Entre os sinais que podem indicar um quadro de boreout estão:
- tédio frequente durante a jornada;
- sensação de que as tarefas não fazem sentido;
- falta de desafios;
- perda de interesse pelo trabalho;
- sensação de que as próprias habilidades não são aproveitadas;
- dificuldade para enxergar possibilidades de crescimento;
- realização das atividades de forma automática.
Um ou outro desses sinais, isoladamente, não significa que uma pessoa tenha boreout. A persistência do quadro e o impacto na vida profissional e pessoal são aspectos que merecem atenção.
O que as empresas podem fazer?
A prevenção passa por observar se os trabalhadores estão sendo adequadamente desafiados e se existe espaço para desenvolvimento.
Entre as medidas possíveis estão a revisão das tarefas, criação de oportunidades de aprendizado, conversas sobre carreira e maior atenção das lideranças aos sinais de desengajamento.
Mais do que aumentar a quantidade de trabalho, a proposta é fazer com que as atividades tenham desafios compatíveis com as capacidades e os objetivos profissionais de cada pessoa.
O debate sobre boreout, portanto, vai além da ideia de que um funcionário simplesmente “não quer trabalhar”. Em alguns casos, o problema pode estar justamente em um ambiente que deixou de oferecer estímulo, aprendizado e perspectiva de crescimento.
