Segundo o Ministério do Interior, 266 mil pessoas participaram dos atos em diferentes cidades, sendo 56 mil em Paris. Os organizadores estimaram um público de até 450 mil manifestantes.
Falta de professores iniciou mobilização
A crise começou em 21 de setembro, quando estudantes de uma escola de Créteil, na periferia da capital, protestaram contra a falta de professores. Em poucos dias, o movimento alcançou outras regiões e passou a reunir alunos do ensino médio, universitários, professores, pais e sindicatos.
As reivindicações incluem contratação de profissionais, substituição de docentes ausentes, redução das turmas superlotadas e reformas nos prédios escolares. Os estudantes também criticam as longas jornadas de aulas e o Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior que consideram estressante e desigual.
Desigualdades alimentam insatisfação
Os manifestantes afirmam que anos de redução de pessoal e investimentos insuficientes aprofundaram as diferenças entre escolas centrais e instituições das periferias. Mais de 70% das turmas do ensino médio público francês têm acima de 30 alunos, enquanto 20% ultrapassam 35 estudantes.
Há ainda reclamações sobre salas sem mobiliário adequado, infiltrações, presença de ratos e falta de climatização em períodos de calor intenso. Para os estudantes, essas condições prejudicam principalmente os jovens de áreas mais pobres e reduzem suas oportunidades de acesso ao ensino superior.
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Confrontos e denúncias de violência policial
Embora a maior parte das passeatas tenha ocorrido de forma pacífica, houve confrontos em Paris, Rennes, Lyon, Estrasburgo e Toulouse. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra grupos que ergueram barricadas e depredaram estabelecimentos. Somente nesta terça-feira, 488 pessoas foram detidas.
Desde o início das mobilizações, mais de 6,5 mil prisões foram contabilizadas, a maioria envolvendo menores. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou que ao menos 215 adolescentes, 85 funcionários de escolas e mais de 700 policiais ficaram feridos. Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos em um episódio envolvendo uma granada policial, o que aumentou as denúncias de uso excessivo da força.
Governo enfrenta limitações econômicas
A pressão ocorre em meio à fragilidade econômica e política da França. O governo enfrenta dívida pública elevada, baixo crescimento e dificuldades para aprovar o orçamento desde que os aliados do presidente Emmanuel Macron perderam a maioria parlamentar, em 2024.
Lecornu prometeu avaliar, até o fim de outubro, a reposição de professores, a duração da jornada escolar e as reformas nos prédios. Os estudantes afirmam que continuarão mobilizados enquanto não forem anunciadas medidas concretas para melhorar a educação pública.
