O calor extremo durante a gravidez está cada vez mais associado a problemas de saúde para gestantes e bebês, incluindo parto prematuro, morte fetal, baixo peso ao nascer e complicações maternas, alertou nesta segunda-feira (5/10) o chefe de Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), Simon Stiell.
O alerta foi feito durante um fórum preparatório para a COP31, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que será realizada em novembro. As reuniões da chamada pré-COP ocorrem nesta semana em Nadi, em Fiji, e em Tuvalu, no Pacífico Sul.
Segundo Stiell, uma nova pesquisa apontou que mais de dois terços dos profissionais de saúde consultados em cinco continentes observaram, nos últimos cinco anos, complicações relacionadas à exposição de gestantes ao calor intenso.
“O calor extremo provocado pelo clima durante a gravidez está cada vez mais associado ao parto prematuro, à morte fetal, ao baixo peso ao nascer e a complicações maternas”, afirmou Stiell.
Calor extremo e gestação
As altas temperaturas podem representar risco maior durante a gravidez porque o organismo da gestante já passa por mudanças fisiológicas que aumentam a demanda sobre o sistema cardiovascular e a capacidade de regular a temperatura corporal.
A exposição prolongada ao calor intenso pode favorecer desidratação e estresse térmico, o que pode agravar problemas de saúde na gestação e aumentar os riscos para mãe e bebê.
O alerta ocorre em meio ao aumento da frequência e da intensidade de eventos de calor extremo associados às mudanças climáticas em diferentes regiões do planeta.
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Pacífico Sul entre as regiões mais vulneráveis
O fórum em Fiji e Tuvalu também busca ampliar a atenção internacional para os impactos das mudanças climáticas em países insulares. O Pacífico Sul está entre as regiões mais vulneráveis ao aquecimento global. Além das temperaturas mais altas, as comunidades locais enfrentam a elevação do nível do mar, que ameaça áreas habitadas, e o branqueamento dos corais, que afeta ecossistemas marinhos e atividades econômicas.
A ministra do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas de Fiji, Lynda Tabuya, pediu que os países industrializados apoiem a transição para fontes renováveis de energia e ofereçam assistência às nações mais expostas aos efeitos do aquecimento global.
Nível do mar sobe em ritmo recorde
Outro impacto destacado nas discussões é o avanço do nível dos oceanos. Segundo um relatório da ONU, o nível do mar sobe em ritmo recorde, impulsionado pelo aquecimento dos oceanos e pelo derretimento de geleiras. O fenômeno aumenta a vulnerabilidade de países e comunidades costeiras, em especial das pequenas nações insulares.
As reuniões em Fiji e Tuvalu antecedem a COP31, que reunirá representantes de diversos países em novembro para discutir a redução das emissões de gases de efeito estufa, a adaptação aos impactos climáticos e o financiamento para os países mais vulneráveis.
