O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6), em meio às investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o banco Ueno. A informação foi confirmada pelo jornal paraguaio ABC. Além de Peña, o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também teve a prisão decretada.
As medidas foram determinadas pelo Ministério Público paraguaio, que investiga suspeitas de abuso de confiança, gestão fraudulenta e outros possíveis crimes relacionados à instituição financeira.
No Paraguai, o Ministério Público pode determinar a detenção preventiva em caráter inicial, conforme previsto no artigo 240 do Código Processual Penal. A medida é provisória e está sujeita aos limites estabelecidos pela legislação.
Peña deixou a Presidência após sofrer impeachment, aprovado pelo Senado paraguaio por 44 votos favoráveis e uma abstenção. Com o afastamento, o então vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o comando do país.
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Crise do banco Ueno
O ex-presidente passou a ser alvo de questionamentos políticos após a divulgação de sua relação com o escândalo financeiro do banco Ueno. A instituição administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, dos quais US$ 355 milhões estavam vinculados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.
O banco entrou em regime de liquidação, deixando aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas.
Relação de Peña com o grupo controlador
Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai em agosto de 2023. Mesmo durante o exercício do mandato, manteve participação societária no Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o banco Ueno, até março de 2025.
A relação entre o ex-presidente e o grupo empresarial passou a integrar o conjunto de questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e irregularidades envolvendo a instituição financeira.
