O avanço da longevidade e a queda das taxas de natalidade estão transformando a estrutura etária mundial. Atualmente, o número de pessoas com 65 anos ou mais já supera o de crianças com menos de 5 anos, segundo projeções demográficas das Nações Unidas.
Essa comparação, porém, precisa ser apresentada com a delimitação das faixas etárias. Ainda não há, no mundo, mais idosos do que todas as crianças e adolescentes. A ONU projeta que as pessoas com 65 anos ou mais somente ultrapassarão a população com menos de 18 anos por volta de 2080.
O envelhecimento demográfico ocorre principalmente pela combinação entre o aumento da expectativa de vida e a redução do número médio de filhos por mulher. De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a parcela mundial de pessoas com 65 anos ou mais passou de 5,5% em 1974 para 10,3% em 2024. A proporção deverá alcançar 20,7% em 2074.
Quando considerada a população a partir dos 60 anos, o mundo reunia aproximadamente 1,22 bilhão de pessoas nessa faixa etária em 2025, ante 608 milhões em 2000. O contingente poderá chegar a 2,11 bilhões até 2050, conforme estimativas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.
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Mudança pressiona políticas públicas
A transformação demográfica amplia a necessidade de investimentos em saúde, previdência, assistência social, acessibilidade e cuidados de longa duração. Também afeta o mercado de trabalho, porque reduz proporcionalmente o número de pessoas em idade ativa responsáveis por sustentar os sistemas de proteção social.
O processo ocorre em ritmos diferentes. Países desenvolvidos ainda possuem as maiores proporções de idosos, mas nações de renda média e baixa enfrentam uma transição mais rápida e, muitas vezes, dispõem de menos recursos para adaptar seus serviços públicos. Segundo o UNFPA, a população com 80 anos ou mais poderá mais do que triplicar entre 2024 e 2074.
Brasil também envelhece rapidamente
No Brasil, a população de 60 anos ou mais passou de 22 milhões, em 2012, para 34,1 milhões, em 2024, crescimento de 53,3%. Os idosos já representam um grupo maior do que o de crianças com até 9 anos, embora a comparação varie conforme a faixa etária adotada. Os dados são do IBGE.
O Censo Demográfico de 2022 também mostrou que o número de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos. A tendência indica uma mudança definitiva na pirâmide etária do país e reforça a necessidade de preparar as políticas públicas para uma população que vive mais e tem menos filhos.
