O número de mortos após as fortes chuvas, enchentes e deslizamentos que atingiram o Nepal subiu para 626, segundo uma atualização da agência Reuters divulgada na madrugada deste sábado (29/8).
Diante da dimensão dos estragos, o ministro das Finanças do país afirmou que o Nepal deverá precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para reconstruir as áreas destruídas. O valor corresponde a aproximadamente R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões, considerando a cotação atual.
Apesar da gravidade da situação, o governo nepalês informou que não necessita, neste momento, de equipes internacionais para operações gerais de busca e salvamento. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, os próprios socorristas do país têm condições de conduzir os trabalhos.
Nepal pede ajuda especializada para resgates
O governo, no entanto, solicitou apoio estrangeiro em áreas que exigem conhecimento técnico específico. Entre as demandas estão o resgate de possíveis vítimas presas em túneis de usinas hidrelétricas, a recuperação de sistemas de comunicação e transporte e a identificação de corpos.
O país também busca apoio para a realização de testes de DNA e para ampliar a capacidade de armazenamento de cadáveres.
“Já fizemos pedidos por serviços especializados e assistência técnica em áreas onde não temos expertise e conhecimento técnico suficientes”, afirmou Khanal à Reuters na noite de sexta-feira (28).
Segundo o ministro, algumas pessoas podem ter ficado presas em túneis de usinas hidrelétricas. O Nepal possui pouca experiência nesse tipo de operação e necessita de equipamentos e profissionais especializados para tentar localizar e retirar possíveis sobreviventes.
Hospitais estão sobrecarregados
Equipes de resgate encontraram corpos nas regiões de Chitwan e Nawalparasi, nas planícies do Nepal, a cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre.
A expectativa das autoridades é de que mais vítimas sejam localizadas nos próximos dias. Khanal afirmou que hospitais da região estão sobrecarregados e enfrentam falta de equipamentos refrigerados para armazenar os corpos.
“Mais corpos provavelmente serão recuperados desses locais onde hospitais estão sobrecarregados de corpos e não há geladeiras para armazená-los”, disse o ministro.
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Enchentes destruíram pontes e infraestrutura
A força das águas atingiu principalmente áreas próximas à fronteira do Nepal com a China, provocando destruição de cidades e danos em usinas hidrelétricas.
Escolas, hospitais, estradas, pontes e outras estruturas foram severamente afetados. Cerca de 20 pontes foram destruídas, prejudicando o transporte e a comunicação entre as regiões atingidas.
O governo nepalês também pediu à Índia e à China que antecipem a reabertura de rotas de transporte e comunicação que foram interrompidas pelo desastre.
Nepal não quer equipes estrangeiras de resgate
Países como Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh haviam demonstrado interesse em enviar equipes internacionais de busca e salvamento.
O governo, porém, afirmou que não há necessidade desse tipo de reforço neste momento. Khanal explicou que a decisão não representa uma rejeição à ajuda estrangeira, mas uma avaliação de que as equipes nepalesas conseguem realizar as operações gerais de resgate.
“Achamos que não há necessidade de repetição nisso”, afirmou o ministro.
A ajuda internacional, segundo ele, é necessária principalmente em áreas que demandam equipamentos e conhecimentos especializados.
Reconstrução pode custar até US$ 5 bilhões
Além das operações de emergência, o Nepal já avalia os impactos de longo prazo do desastre.
O governo estima que serão necessários entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para reconstruir estradas, pontes, hospitais, escolas, usinas hidrelétricas e outros equipamentos destruídos ou danificados.
O desastre começou após o colapso de uma geleira na quarta-feira (26), que liberou grandes volumes de rochas, gelo, lama e detritos pelos sistemas fluviais do Himalaia. O material provocou enchentes e deslizamentos em áreas próximas à fronteira com a China, deixando centenas de mortos e causando danos extensos à infraestrutura.
