Em resposta à captura de Nicolás Maduro e sua esposa pelos Estados Unidos, a Rússia emitiu neste sábado (3/01) um comunicado pedindo que o casal seja imediatamente liberado. O Ministério das Relações Exteriores russo ressaltou que Maduro é o presidente legalmente eleito da Venezuela e que sua detenção pelos americanos fere a soberania do país.
O chanceler Sergei Lavrov afirmou que a liderança dos EUA deve reconsiderar sua posição e devolver Maduro e sua esposa, enfatizando que o episódio aumenta a tensão diplomática entre Washington, Caracas e os aliados do governo venezuelano.
No mesmo dia, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou novas acusações contra Maduro, sua esposa e seu filho. Segundo o órgão, o presidente venezuelano teria se beneficiado de esquemas de corrupção vinculados ao narcotráfico, enriquecendo autoridades locais e colaborando com grupos narcoterroristas que exportam cocaína para os EUA. Desde 2020, Maduro já enfrentava processos nos Estados Unidos relacionados a narcoterrorismo e tráfico de drogas, com promotores apontando uma conspiração de décadas envolvendo proteção política e militar a criminosos.
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A captura de Maduro ocorreu durante uma operação militar conduzida pelos EUA, que incluiu bombardeios em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Testemunhas relataram explosões, colunas de fumaça e aeronaves sobrevoando a capital por cerca de 90 minutos. Moradores de cidades costeiras descreveram o céu vermelho e tremores no solo, enquanto várias regiões de Caracas ficaram sem energia elétrica.
Em paralelo, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA proibiu a operação de aeronaves americanas no espaço aéreo venezuelano devido aos riscos da ofensiva. Donald Trump, presidente americano, classificou a ação como uma “operação brilhante” e anunciou coletiva de imprensa na Flórida para detalhar o ataque e os próximos passos.
Enquanto o julgamento de Maduro nos Estados Unidos é preparado, a Venezuela enfrenta incerteza política: o governo decretou emergência nacional e a oposição monitora uma possível transição de poder no país.