A crise do Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai e o maior banco digital do país em número de clientes, provocou um colapso financeiro que afeta cerca de 3 milhões de pessoas. A instituição administrava quase US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde, o que também ameaça o pagamento de benefícios a aposentados.
A quebra do banco deixou milhares de clientes sem acesso às próprias contas, aplicativos e cartões. Entre os afetados estão brasileiros que vivem no Paraguai e dependem dos serviços da instituição. O caso provocou protestos em Assunção, capital do país, na terça-feira (3), quando manifestantes cobraram a devolução do dinheiro retido e pediram o impeachment do presidente Santiago Peña. Os atos foram reprimidos pelas forças de segurança.
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A crise também atingiu diretamente o governo paraguaio. Até o ano passado, Peña era sócio do grupo controlador do Ueno Bank, vínculo que ampliou a pressão política sobre o presidente. Nesta quinta-feira (5), ele renunciou ao cargo em meio à repercussão do escândalo. A situação também provocou mudanças na cúpula do sistema financeiro, com a renúncia do presidente do Banco Central.
As autoridades identificaram que o índice de solvência do Ueno Bank havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação, levando o Banco Central a decretar intervenção na instituição. Oito integrantes da diretoria foram presos. O banco, que também patrocinava a seleção paraguaia de futebol, tornou-se o centro de uma crise que envolve clientes, recursos públicos e a estabilidade política e financeira do país.
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