O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5/11), em meio à crise provocada pelo Banco Ueno e à pressão política por sua saída. A decisão ocorreu enquanto o Congresso avançava com um processo de impeachment contra ele.
Poucos minutos depois do anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment por unanimidade, com 78 votos favoráveis e nenhum contrário. O processo ainda precisa ser analisado pelo Senado.
A proximidade entre os dois acontecimentos levantou uma dúvida: Peña renunciou para escapar do impeachment? Para entender o episódio, é necessário diferenciar os dois procedimentos.
Por que Santiago Peña renunciou?
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após identificar graves problemas financeiros na instituição.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. A intervenção provocou questionamentos sobre a relação de Peña com o grupo empresarial controlador da instituição, do qual foi acionista até março de 2025.
A oposição acusou o presidente de conflito de interesses e de possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos. A crise aumentou a pressão sobre o governo e enfraqueceu a sustentação de Peña no Congresso.
Qual é a diferença entre renúncia e impeachment?
A renúncia é a saída voluntária do presidente, que precisa seguir os procedimentos constitucionais para ser formalizada.
O impeachment, por sua vez, é um processo político e jurídico que pode resultar na destituição do presidente por acusações de irregularidades durante o mandato. Ele não depende da vontade do governante.
No Paraguai, a Câmara dos Deputados aprova a acusação e o Senado realiza o julgamento. Para condenar o presidente, são necessários dois terços dos votos.
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Peña pode escapar do impeachment?
A renúncia ocorreu antes da conclusão do processo, mas isso não significa necessariamente que as acusações contra Peña estejam encerradas.
A aprovação na Câmara não equivale à condenação. Se o Senado confirmar a acusação, o resultado será a destituição, mas a saída voluntária já alterou o cenário em que esse julgamento ocorreria.

Quais são as consequências políticas do processo?
O primeiro efeito é a manutenção do debate sobre a responsabilização de Peña. Parlamentares da oposição defenderam a continuidade das investigações e questionaram se a saída voluntária poderia dificultar uma futura responsabilização do ex-presidente.
Um dos pontos levantados é a possibilidade de Peña obter imunidade parlamentar vitalícia, o que poderia complicar eventuais processos judiciais. A questão depende da interpretação das regras constitucionais e legais do Paraguai.
O segundo efeito é a mudança no comando do país. O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a presidência e concluir o mandato, previsto para agosto de 2028. A Câmara rejeitou um pedido de impeachment contra Alliana por 48 votos a 30, o que o mantém apto a assumir o cargo.
Em resumo, renúncia e impeachment são procedimentos diferentes. Peña decidiu deixar o cargo, mas a aprovação do processo pela Câmara mantém a discussão política e jurídica sobre sua saída.
