Home Polícia “Erros médicos gravissímos”: Advogados da família de Benício apontam falhas até a intubação na UTI

“Erros médicos gravissímos”: Advogados da família de Benício apontam falhas até a intubação na UTI

0
“Erros médicos gravissímos”: Advogados da família de Benício apontam falhas até a intubação na UTI
(Foto: Rede Onda Digital)

A morte do menino Benício Xavier Freitas, de 6 anos, continua cercada de questionamentos da família. Declarações dos advogados que representam os pais reforçam a tese de que uma sequência de falhas no atendimento hospitalar pode ter sido determinante para o desfecho trágico.

À imprensa, nesta quinta-feira (2/4), os advogados, acompanhados de Joyce Xavier e Bruno Freitas, pais de Benício, detalharam linha de investigação nesses 120 dias após a morte do menino.

Segundo o advogado Ricardo Albuquerque, não se trata de um erro isolado, mas de uma cadeia de condutas inadequadas, que começa ainda na prescrição de medicamentos e se estende até procedimentos críticos realizados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), incluindo dificuldades no processo de intubação.

De acordo com a defesa da família, a criança recebeu uma dose considerada “extremamente exagerada” de adrenalina, administrada diretamente na veia, conduta que, segundo a investigação, não era indicada para o quadro clínico. Após a aplicação, Benício sofreu múltiplas paradas cardíacas.

A defesa também aponta demora no atendimento e falhas no encaminhamento à UTI. Um dos pontos mais críticos, segundo Ricardo Albuquerque, foi a dificuldade na intubação.

“É uma sequencia causal: são falhas que vão se somando. Começa na adrenalina, foi uma dose extremamente exagerada, aí chega lá (na UTI) alimentam a criança… um absurdo. Vem a médica da UTI não consegue intubar, ela não consegue, porque o próprio relatório de enfermagem e os vídeos mostram que não conseguiu intubar, uma hora depois que a anestesista chega e intuba essa criança. Que há erros médicos gravíssimos, com certeza”, diz o advogado Ricardo Albuquerque

Além disso, há questionamentos sobre a conduta durante o atendimento, incluindo o uso de celular pela médica enquanto o paciente já estava em estado grave, além de possíveis falhas na prescrição de medicamentos e no cumprimento de protocolos clínicos. Para o advogado, o conjunto de situações configura “erros médicos gravíssimos”, e com possíveis implicações civis e criminais.

O advogado finaliza a fala afirmando que foi dado entrada em uma denúncia acerca da conduta da médica Juliana Brasil junto ao Conselho Regional de Medicina e pede pela cassação do registro profissional.


Leia mais

“Não foi doença que matou nosso filho”: pais de Benício cobram laudo do IML quatro meses após morte

Caso Benício: MPAM barra entrevistas de delegado em investigação sobre morte de menino no Hospital Santa Júlia


Laudo indireto do IML

Segundo o advogado Ricardo Albuquerque, o laudo necroscópico em atraso no IML é uma perícia indireta, isto é, feita por médicos legistas com base na análise dos procedimentos médicos dentro do hospital, como prontuários, receita de medicação, intubação etc. Como o corpo de Benício foi embalsamado antes de passar no Instituto Médico Legal, a perícia tradicionalmente realizada foi prejudicada.

 

Defesa da médica contesta acusações

À Rede Onda Digital, o advogado Sérgio Figueiredo, que defende a médica Juliana Brasil disse que há denúncias graves que não foram devidamente consideradas durante a investigação.

“Exatamente o que nós, da defesa de Juliana, vimos denunciando há tempos: vêm sendo protegidos na investigação, os reais responsáveis pela morte de Benício. Nós abrimos uma caixa-preta que estava fechada e protegida, e que agora foi escancarada”, afirmou.

O advogado também cita outros profissionais que, segundo ele, tiveram participação direta no atendimento.

“A médica, Dra. Alexandra Procópio, que prescreveu adrenalina e aerolin no CTI e tentou, por quase uma hora, entubar Benício, não foi investigada. A médica Ana Rosa, que entubou a criança em menos de 50 segundos, não foi investigada, o médico Luiz Felipe, que recebeu a criança estável das mãos da Dra. Juliana, não foi investigado”, declarou.

Ainda segundo Sérgio Figueiredo, outros membros da equipe também deveriam ser incluídos na apuração.

“As duas funcionárias que orientaram a técnica de enfermagem Raissa a não introduzir adrenalina na veia também não foram investigadas”, acrescentou.

A defesa sustenta que há falhas na condução do caso e critica o que classifica como exposição indevida.

“O delegado apenas quis fazer uma espetacularização com essa tragédia, e a Justiça reconheceu isso. A defesa de Juliana Brasil também fará justiça por Benício”, concluiu.

Família cobra laudo e conclusão do inquérito

Enquanto o caso segue em investigação, os pais cobram a finalização do laudo do Instituto Médico Legal (IML), essencial para a conclusão do inquérito. Quatro meses após a morte, ocorrida em 23 de novembro, o documento ainda não foi concluído. A mãe, Joyce, fez um apelo por agilidade. “A gente implora que o laudo seja liberado para que o processo avance”, disse. O pai, Bruno Mello de Freitas, reforça que, para a família, a causa da morte está diretamente ligada ao atendimento.

“Não foi uma doença. Foi uma aplicação errada de adrenalina que tirou a vida do nosso filho”, afirmou.

A Polícia Civil do Amazonas continua apurando o caso e já indicou a existência de elementos que apontam possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de adulteração de provas..