O anúncio de renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, feito nesta quinta-feira (5/11), foi o desfecho de uma crise política e financeira que expôs uma ruptura no topo do poder paraguaio.
A queda de Peña foi diretamente influenciada pela perda de apoio de seu próprio padrinho político, o ex-presidente e bilionário Horacio Cartes, que comanda o Partido Colorado.
Ruptura política
Horacio Cartes, que governou o país entre 2013 e 2018 e preside a Associação Nacional Republicana, o Partido Colorado, foi o mentor da eleição de Peña em 2023. No entanto, diante da indignação popular causada pelo escândalo do banco digital Ueno, Cartes avaliou que a proximidade com o presidente ameaçava a reputação de sua legenda.
Cartes publicou comunicados afirmando que o partido não ficaria do lado do roubo de fundos públicos e privados e anunciou apoio ao impeachment do próprio afilhado político.
La bandera colorada representa una historia de servicio al país; honrarla también significa actuar con valentía cuando la patria lo exige. https://t.co/W7ubJ3xMuA
— Horacio Cartes (@Horacio_Cartes) November 5, 2026
Sob sua liderança, a bancada governista na Câmara dos Deputados abandonou Peña, resultando em uma votação praticamente unânime a favor do processo de afastamento, com 79 dos 80 deputados.
O colapso do Ueno Bank
O estopim da crise foi a liquidação do Ueno Bank, determinada pelo Banco Central paraguaio na última terça-feira (3). A instituição teve as atividades suspensas após a identificação de empréstimos irregulares concedidos a empresas ligadas aos próprios donos, o que derrubou os índices de solvência do banco.
Cerca de 3 milhões de paraguaios, quase metade da população adulta do país, ficaram sem acesso às suas economias. O banco também administrava cerca de 850 milhões de dólares em recursos públicos, incluindo depósitos do Instituto de Previdência Social.
A situação de Peña se agravou porque ele foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025, já durante o seu mandato. A oposição passou a acusá-lo de conflito de interesses, manipulação regulatória e uso de fundos públicos para inflar a instituição financeira.
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Com o avanço do julgamento político no Congresso e a inclusão do presidente nas investigações criminais do Ministério Público, Santiago Peña anunciou a renúncia na manhã desta quinta-feira. Ele afirmou que a decisão buscava preservar a estabilidade e a paz social do país.
A saída, que ainda precisa ser aceita pelo Congresso, pavimenta o caminho para uma sucessão controlada pelo grupo de Cartes. O vice-presidente Pedro Alliana, que integra o núcleo político do ex-presidente, deve assumir o comando da nação temporariamente.
