O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reagiu nesta quarta-feira (2/9) às cobranças pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e mencionou o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Durante a sessão, Alcolumbre fez referência a R$ 130 milhões solicitados para a produção e respondeu às críticas dirigidas a ele e ao magistrado. “E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.
O senador não citou nominalmente o filme nem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, responsável por recursos destinados ao projeto. Alcolumbre também reclamou dos ataques que vem recebendo, retomou a pauta da sessão e não apresentou previsão para analisar o impeachment.
🇧🇷 Davi Alcolumbre, presidente do Senado, reclama de “agressões” que recebe por não pautar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes:
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões pra mesma pessoa pra fazer um filme, e agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes”. pic.twitter.com/ZNprV5ypge
— Eixo Político (@eixopolitico) September 2, 2026
Flávio cobra atuação do Senado
A manifestação ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defender, na terça-feira (1º/9), a abertura imediata de um processo contra Moraes. O parlamentar cobrou uma posição de Alcolumbre e acusou o Senado de omissão.
As críticas foram feitas depois da divulgação de mensagens envolvendo o ministro e Vorcaro, dono do Banco Master. O material integra uma investigação cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça. Na tribuna, Flávio afirmou que o Legislativo precisava reagir às revelações.
Leia mais:
Alcolumbre diz que 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF “não é normal”
Flávio defende Mendonça após encontro com Vorcaro e ataca Moraes
Financiamento do filme é investigado
O projeto citado por Alcolumbre também é alvo de apuração. A Polícia Federal investiga a origem e o destino de R$ 61 milhões aportados por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro.
A investigação busca esclarecer se os recursos foram integralmente destinados à produção e apura possíveis crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. A abertura do inquérito foi autorizada por Mendonça.
Flávio nega irregularidades e sustenta que o financiamento resultou de um acordo privado, firmado quando ainda não havia suspeitas sobre o Banco Master.
Os valores mencionados têm referências diferentes. Enquanto Alcolumbre citou R$ 130 milhões em plenário, a cobertura sobre o projeto aponta uma negociação de aproximadamente R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido transferidos. Assim, o montante mencionado no discurso não deve ser tratado como valor integralmente pago.
