O vice-governador do Amazonas e candidato à reeleição, Serafim Corrêa (PSB), defendeu nesta terça-feira (25) a manutenção da Zona Franca de Manaus e a pavimentação da BR-319. Durante entrevista ao programa Em Alta, da TV Onda Digital, o candidato afirmou que as duas estruturas são estratégicas para o Amazonas e para a Amazônia Ocidental.
“Eu sou inteiramente a favor, tanto da Zona Franca quanto da BR-319. Isso é um preço que o Brasil tem que pagar pelos 98% da floresta em pé que o Amazonas preserva”, afirmou o vice-governador.
Ao responder às críticas feitas pela candidata a vice-governadora pelo PSTU, Juliana Frota, durante entrevista ao mesmo programa na segunda-feira (24), Serafim destacou a importância da rodovia para o transporte e a integração regional.
“O rio é mais barato do que a rodovia, mas a rodovia é mais importante pelo tempo. Tem cargas que, se vierem de navio, elas podem ter problemas, se vierem pela estrada, não terão”.
Segundo Corrêa, a BR-319 também permite a conexão entre os mercados do Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre. Para ele, a rodovia representa uma conquista para a Amazônia Ocidental.
Corrêa também rebateu a avaliação de Juliana Frota sobre a Zona Franca e a BR-319.
“Lamento que a Juliana, pela sua idade, talvez, ela não tenha essa compreensão de que a Zona Franca de Manaus é importante para nós, é importante para o Brasil, assim como a BR-319 também”, comentou.
Terras raras no Amazonas
Durante a entrevista, Serafim Corrêa também comentou o debate sobre a exploração de terras raras no Amazonas. O candidato defendeu a participação da iniciativa privada na atividade de mineração, mas afirmou que o Estado deve manter o controle, a fiscalização e o acompanhamento das operações.
“Há quem defenda que a exploração das terras raras, a exemplo do que foi a Petrobras nos anos 50, exerça o monopólio estatal das terras raras. Eu, embora seja também do PSB, entendo que deve ser sob o controle do Estado, mas a atividade empresarial de mineração deve ficar com a iniciativa privada, sob o controle do Estado, sobre o monitoramento, sobre a fiscalização, o acompanhamento bem direto, mas sob o controle do Estado”.
O Amazonas aparece entre os territórios considerados estratégicos na corrida mundial pelas terras raras. Documentos dos governos estadual e federal apontam o acompanhamento do potencial mineral da região.
Os elementos são considerados importantes para setores tecnológicos, como a fabricação de motores elétricos, celulares, drones de defesa e radares. A exploração, porém, envolve questões geopolíticas e preocupações relacionadas aos impactos ambientais.
As terras raras correspondem a um conjunto de 17 elementos químicos que costumam aparecer associados na natureza. O tema ganhou destaque internacional em meio à disputa comercial entre Estados Unidos e China e às negociações do governo de Donald Trump pelo acesso a esses recursos. A China atualmente lidera a produção mundial.
Saúde é principal proposta de campanha
Na área da saúde, Serafim apresentou o setor como a principal proposta de sua campanha à reeleição. O vice-governador afirmou que sua experiência como prefeito contribuiu para a avaliação dos problemas enfrentados pelo sistema no Amazonas.
Para Corrêa, o principal desafio está na falta de integração entre as três esferas de governo. Ele defendeu maior articulação entre União, Estado e municípios para melhorar o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Para o Sistema Único avançar, é preciso haver interação, integração das três esferas de poder, poder federal, poder estadual e poderes municipais. Se não houver diálogo, se não houver entendimento, se não houver cooperação, se não houver resolutividade, nós vamos ficar dando rodas e rodas e não vamos resolver nada.”
O candidato citou ainda o atendimento às pessoas com deficiência, especialmente crianças autistas, como um dos desafios da saúde pública no estado. Para ele, a ampliação dos serviços de média e alta complexidade depende do fortalecimento da atenção básica.
Serafim também destacou os gastos do Amazonas com o transporte de pacientes do interior para Manaus. Segundo ele, o Estado desembolsa cerca de R$ 100 milhões por ano apenas com UTI aérea.
“O Estado do Amazonas gasta, só com UTI aérea, em torno de 100 milhões de reais todos os anos, para trazer pacientes do interior para Manaus.”
Ao falar sobre propostas para ampliar a estrutura hospitalar no interior, Corrêa criticou promessas de construção de unidades sem considerar a necessidade de articulação entre os diferentes níveis de governo.
“Dizer que vai construir dez hospitais no interior não vai, não vai, isso não é assim. Isso é um processo que tem que haver, como disse, integração, entendimento, diálogo entre os diversos poderes”, avalia.
