Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3/7) aponta que 40% dos brasileiros acreditam que a pobreza está relacionada à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar”. O percentual quase dobrou em comparação com 2022, quando essa opinião era compartilhada por 22% dos entrevistados.
Apesar do crescimento desse entendimento, a maioria da população ainda atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais para ascensão social. Essa percepção, no entanto, caiu de 76% para 58% no mesmo período. Outros 3% dos entrevistados disseram não saber responder.
Segundo o Datafolha, o aumento da parcela que associa a pobreza à preguiça é o maior registrado desde o início da série histórica da pergunta, em 2013. O questionamento integra a matriz ideológica do instituto, que reúne temas relacionados a valores sociais e políticos, como segurança pública, drogas, migração e comportamento.
O levantamento foi realizado presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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Diferenças entre gerações
Os resultados também mostram que a percepção sobre as causas da pobreza muda conforme a idade dos entrevistados. Entre os jovens de 16 a 24 anos, predomina a avaliação de que a pobreza está ligada à falta de oportunidades: 74% defenderam essa posição, enquanto 22% atribuíram a condição à preguiça. Já entre as pessoas com 60 anos ou mais, as opiniões ficaram praticamente divididas, com 49% relacionando a pobreza à preguiça e 48% à desigualdade de oportunidades.
Visão muda conforme a preferência eleitoral
A pesquisa também identificou diferenças de acordo com a preferência política dos entrevistados.
Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 70% afirmaram que a pobreza é consequência da falta de oportunidades, enquanto 28% disseram que ela está relacionada à preguiça. No grupo dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro, a percepção se inverte: 52% associaram a pobreza à preguiça e 44% apontaram a falta de oportunidades como principal causa.
