O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), aproveitou a coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (9/2), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), para marcar posições políticas, reforçar o protagonismo da Prefeitura e enviar sinais claros sobre o cenário de 2026, tanto no campo administrativo quanto no eleitoral.
Ao longo do seu discurso, o prefeito buscou vincular as entregas da gestão à sua liderança política, apresentando 2026 como um ano estratégico, com obras estruturantes e ampliação de políticas públicas em áreas sensíveis como saúde, habitação, educação e mobilidade urbana. O discurso foi usado como instrumento de afirmação de gestão, em meio às críticas recorrentes sobre infraestrutura e alagamentos.
Sobre os problemas causados pelas chuvas, David adotou um tom defensivo, reconhecendo os transtornos, mas distribuindo responsabilidades ao citar fatores externos, como o volume de lixo descartado irregularmente e atribuições de outros entes federativos. Ao mesmo tempo, reforçou a ideia de que a Prefeitura responde com rapidez às crises, numa tentativa de neutralizar o desgaste político provocado pelas imagens de alagamentos que circularam nas redes sociais.
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No campo administrativo, o prefeito sinalizou liberdade institucional para aliados e quadros do grupo político, ao afirmar que não interfere nas decisões individuais de lideranças ligadas à sua base. A fala reforça uma estratégia de descentralização de poder, comum em períodos pré-eleitorais, quando alianças passam a ser testadas.
David Almeida também tocou, de forma calculada, no debate eleitoral. Apesar de negar qualquer definição sobre candidatura em 2026, lembrou sua votação no interior em eleições passadas e destacou o alcance das redes sociais da gestão, sinalizando que capital político fora de Manaus continua no radar.
Outro ponto com leitura política foi a defesa de concursos públicos e da expansão da Guarda Municipal. Ao tratar do tema, o prefeito buscou dialogar com o funcionalismo e com a opinião pública, ao mesmo tempo em que se resguarda juridicamente ao afirmar que eventuais convocações ocorreriam apenas após o período eleitoral.
A coletiva, embora formalmente administrativa, funcionou como um ato político calculado, no qual David Almeida reforçou sua imagem de gestor ativo, respondeu a pressões urbanas e manteve abertas, ainda que sem assumir, as possibilidades do jogo eleitoral de 2026.