O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou, por meio das redes sociais na quinta-feira (3), que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino, também da Corte, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teriam articulado uma ação contra ele com o objetivo de provocar desgaste político e eleitoral.
Segundo o senador, Moraes e Alcolumbre teriam conversado longamente em Brasília na quarta-feira (2) e, posteriormente, articulado com Dino uma medida que classificou como ilegal. Flávio, porém, não apresentou provas sobre a suposta reunião, sobre o conteúdo da conversa ou sobre a existência de uma articulação envolvendo os três.
“Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre teriam conversado longamente nesta quarta-feira (2), em Brasília, e articulado com Flávio Dino alguma ação ilegal contra mim, com o único intuito de ‘reagir’ a André Mendonça e me desgastar eleitoralmente”, escreveu.
O senador afirmou ainda que, caso a suspeita seja confirmada, o episódio demonstraria, em sua avaliação, que autoridades estariam utilizando as instituições para atingir adversários políticos. “Caso se confirme, é a comprovação de que o Brasil virou uma várzea, terra sem lei, onde os que se acham donos do país armam farsas contra seus adversários”, declarou.
Na mesma publicação, Flávio convocou apoiadores para manifestações previstas para 7 de setembro e voltou a fazer críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Acusação ocorre em meio à crise no STF
As declarações de Flávio ocorrem em meio ao conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que ganhou novos desdobramentos após a divulgação de documentos relacionados às investigações sobre o Banco Master.
Mendonça retirou o sigilo de documentos ligados ao caso, incluindo mensagens e registros envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e autoridades. A medida trouxe novos questionamentos sobre os contatos entre Vorcaro e integrantes do Judiciário.
Na sequência, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, documentos com alegações sobre a atuação de Mendonça em investigações. Entre os pontos levantados estão possíveis práticas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
As acusações de Moraes também dependem de apuração e não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade de Mendonça.
Leia mais
“STF é maior do que qualquer um”, diz Flávio Dino em meio a crise entre ministros
Flávio Bolsonaro muda planos e antecipa visita ao Amazonas para o dia 11
Fachin determina esclarecimentos
Nesta sexta-feira (4), Fachin determinou prazo de cinco dias para que Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre as supostas irregularidades apontadas por Moraes. O presidente do STF também retirou do Inquérito das Fake News o pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça.
O episódio ampliou a tensão interna no Supremo e passou a ter também repercussão política. Flávio Bolsonaro utiliza o conflito para sustentar que uma eventual reação às decisões de Mendonça poderia atingir sua candidatura.
Até o momento, contudo, não foram apresentadas provas públicas que confirmem a alegação de que Moraes, Dino e Alcolumbre tenham articulado uma ação com o objetivo de prejudicar eleitoralmente Flávio Bolsonaro.

