O deputado federal André Janones (Avante-MG) afirmou que não pretende assumir nenhum ministério no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista exclusiva ao Fantástico, exibida neste domingo (1º/11), o parlamentar declarou que continuará na Câmara dos Deputados, onde pretende atuar em defesa das propostas do governo.
“Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, disse.
A possibilidade de o deputado integrar a equipe ministerial ganhou força após sua participação na campanha presidencial, especialmente pela organização do chamado “Exército do Lula”, rede de mobilização de apoiadores nas plataformas digitais.
Exército do Lula
O grupo foi organizado por Janones durante o segundo turno da eleição presidencial, quando Lula disputou a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa utilizou principalmente um canal no WhatsApp para reunir apoiadores e coordenar a divulgação de conteúdos favoráveis ao petista.
Em aproximadamente três semanas, a rede chegou a reunir quase 11 milhões de participantes. Os integrantes recebiam orientações para compartilhar vídeos, publicar conteúdos nas redes sociais, impulsionar hashtags e ampliar o alcance das mensagens da campanha.
A estratégia também envolvia evitar interações com publicações de adversários políticos, para não aumentar o engajamento de conteúdos contrários a Lula.
O presidente participou de transmissões ao lado de Janones durante a campanha e, após a vitória nas urnas, agradeceu publicamente ao deputado pela mobilização. Lula também o chamou de “general”, em referência ao papel desempenhado na organização dos apoiadores.
No segundo turno, realizado em 25 de outubro, Lula foi reeleito com 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro.
Canal foi suspenso
A trajetória do Exército do Lula também foi marcada por questionamentos na Justiça Eleitoral. Em 11 de outubro, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão do canal após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão apontou a circulação de conteúdos considerados inverídicos pela Corte.
O canal voltou a funcionar após o registro na Justiça Eleitoral e o cumprimento das determinações do tribunal. Janones negou ter divulgado notícias falsas.
Cotado para ministério
Após a vitória de Lula, o nome de Janones passou a ser mencionado entre os possíveis integrantes do novo governo. Uma das possibilidades discutidas nos bastidores era a criação de uma Secretaria Especial de Comunicação Digital, com status de ministério, que poderia ficar sob o comando do parlamentar.
Em 29 de outubro, Janones se reuniu com Lula, em Brasília, para conversar sobre sua participação no próximo mandato. Na ocasião, já havia demonstrado preferência por continuar no Legislativo, embora afirmasse que aguardaria a orientação do presidente.
O deputado argumentava que poderia contribuir mais com o governo a partir da Câmara, principalmente diante da composição do Congresso Nacional, que terá presença expressiva de parlamentares de oposição e de partidos de direita.
A decisão anunciada ao Fantástico confirma a preferência de Janones por permanecer no Legislativo. O parlamentar pretende atuar na articulação política e na aprovação de propostas defendidas pelo governo.
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Quem é André Janones
Natural de Ituiutaba, em Minas Gerais, André Janones tem 42 anos e é formado em Direito. Antes de ingressar na política, trabalhou como cobrador de ônibus e ganhou projeção nas redes sociais por sua atuação em defesa de pacientes que buscavam acesso a tratamentos de saúde.
Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2018 e ganhou notoriedade nacional pela atuação nas redes sociais, com vídeos de linguagem popular e confrontos políticos com representantes da direita.
Em 2022, também participou da mobilização digital da campanha presidencial de Lula. Naquele ano, chegou a ser cotado para assumir um cargo na Secretaria de Comunicação Social da Presidência, mas permaneceu na Câmara.
Em 2026, foi reeleito deputado federal e voltou a ganhar destaque nacional com a organização do Exército do Lula, estrutura de mobilização digital da campanha presidencial.
