O policial militar e ex-candidato a deputado estadual Kidson Maia (PL) negou na quarta-feira (14/10) ter feito gesto de ameaça contra a deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campêlo (PSD). Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirma que o movimento foi um recado ao grupo político adversário. Segundo ele, o gesto, feito com o celular na mão, significava “Acabou pra vocês” e não foi direcionado a uma pessoa específica.
Antes disso, a deputada usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para denunciar uma suposta ameaça de morte atribuída a ele. Segundo ela, o episódio ocorreu nos bastidores de um debate eleitoral. O caso motivou o registro de Boletim de Ocorrência por ameaça na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) e o acionamento dos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
A versão de Kidson Maia
Em resposta às acusações, Kidson Maia publicou um vídeo negando ter feito qualquer sinal de intimidação ou ameaça de morte. Na gravação, ele alega que o movimento foi mal interpretado e direcionado ao grupo político adversário, como sinal de derrota iminente nas urnas.
Na declaração em vídeo, Kidson Maia disse:
“Estão me acusando de ter feito um gesto ameaçador para uma mulher. Isso é mentira. Como vocês podem ver, eu tô com o celular na mão. Eu aponto no celular e eu faço o gesto aqui, ó. Acabou pra vocês. Eu não ameacei ninguém e também não direcionei pra uma pessoa específica. Eu disse, acabou pra vocês. Pro grupo dos nossos adversários políticos. E você, Alessandra Campelo, está mentindo. E todo mundo sabe o motivo do teu espetáculo. Vocês estão desesperados”.
Na versão do policial, a acusação está ligada à disputa eleitoral entre a chapa de Omar Aziz e Alessandra Campêlo (PSD) e a candidata Maria do Carmo (PL).
Denúncia na Aleam
Em discurso no plenário, Campêlo relatou que Kidson Maia fez o gesto de degola (simulando cortar o pescoço) três vezes, olhando diretamente para ela. Ela rejeitou a ideia de que o ato tenha sido provocação política ou brincadeira.
“Não existe brincadeira”, declarou a parlamentar. E acrescentou: “Eu me senti ameaçada naquele momento, porque se ele faz isso no meio de tantas pessoas, com toda a imprensa presente, imagine o que ele pode fazer depois?”
Ela também disse que tentou conter a situação, com a ajuda de seu advogado, e que o vereador Sargento Salazar (PL), eleito deputado federal, presenciou o gesto e riu.
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Repercussão
O episódio provocou reação na Aleam. O presidente da Casa, deputado Adjuto Afonso, divulgou nota oficial de repúdio, afirmando ser “inadmissível qualquer atitude que possa intimidar, constranger ou colocar em risco a integridade de uma mulher”.
No plenário, parlamentares de diversas correntes manifestaram solidariedade à deputada:
- Rozenha (PSD): afirmou que, no universo criminal, o gesto só possui um significado: morte.
- Wilker Barreto (PSD): classificou o ato como “ameaça velada” e cobrou posicionamento formal da candidata Maria do Carmo.
- Brena Dianná (União Brasil): defendeu o banimento das redes e afirmou que mandatos não podem servir de escudo para impunidade.
- Sinésio Campos (PT): declarou que a Casa Legislativa não pode ser passiva diante da violência política de gênero.
- Thiago Abrahim (MDB) e Dan Câmara (Republicanos): destacaram a gravidade da agressão contra todas as mulheres e cobraram o uso de mecanismos legais da Casa contra condutas criminosas.
- Abdala Fraxe (Avante): defendeu que as apurações sejam levadas às últimas consequências.
Com o registro de ocorrência na DECCM e o acionamento do MPE e do MPF, o caso passa a ser objeto de apuração policial e judicial por ameaça. Na sessão, houve referência à hipótese de violência política de gênero.
As imagens gravadas durante a transmissão do debate e os vídeos de bastidores poderão ser analisados na apuração.
