O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (10) que já revogou mais de 175 mil vistos de estrangeiros durante o governo do presidente Donald Trump. Segundo o órgão, as medidas atingiram pessoas que violaram as condições dos vistos, cometeram crimes, fraudaram cidadãos americanos, incitaram violência ou representaram riscos à segurança nacional.
De acordo com o departamento, a maioria das revogações ocorreu após os estrangeiros terem tido algum tipo de contato com a polícia. Entre os principais motivos apontados estão acusações ou condenações relacionadas a agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, roubo e crimes envolvendo drogas.
O governo americano também citou casos específicos, incluindo uma pessoa acusada de estupro e agressão sexual, outra acusada de sequestro e tráfico de pessoas, além de um estrangeiro que responde a mais de uma dúzia de acusações relacionadas à posse de material de abuso sexual infantil.
As autoridades também afirmaram ter cancelado vistos de estrangeiros que comemoraram publicamente o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk. Entre os casos mencionados está o de uma pessoa que declarou que Kirk “morreu tarde demais”.
Endurecimento da política migratória
A revogação dos vistos faz parte de uma política mais ampla de endurecimento da imigração adotada pelo governo Trump desde o início do novo mandato. A administração americana vem ampliando medidas para restringir a entrada e a permanência de estrangeiros no país.
No fim de julho, o Departamento de Estado anunciou a transformação em permanente de um programa que permite a cobrança de uma caução de até US$ 20 mil de determinados solicitantes de vistos.
Leia mais
Lula prepara “resposta” a Trump com dados sobre desmatamento na Amazônia
Nova regra de vistos dos EUA prevê caução de US$ 10 mil a US$ 20 mil
A medida vale para cidadãos de 50 países, principalmente da África, e está direcionada aos vistos de negócios e turismo, das categorias B1 e B2. Segundo o governo americano, o objetivo é reduzir os casos de permanência irregular nos Estados Unidos.
Pelas novas regras, funcionários consulares podem determinar que determinados solicitantes depositem uma garantia financeira de até US$ 20 mil como condição para a emissão do visto. O Brasil não está entre os países incluídos no programa.
Países sujeitos à caução
A lista divulgada pelo governo dos Estados Unidos inclui países como Angola, Cabo Verde, Cuba, Etiópia, Moçambique, Nigéria, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue, entre outros. A medida também alcança Bangladesh, Benin, Botsuana, Burundi, Camboja, Costa do Marfim, Gâmbia, Guiné-Bissau, Nepal, Nicarágua, Tanzânia, Uganda e Vanuatu.
O valor da caução não é automático para todos os solicitantes. Os funcionários consulares poderão determinar individualmente a necessidade de pagamento, com limite de até US$ 20 mil.
Governo cita risco de permanência irregular
Segundo o Departamento de Estado, relatórios federais apontam que milhares de visitantes temporários permanecem nos Estados Unidos mesmo após o vencimento do período autorizado. O governo afirma que a caução é uma ferramenta para incentivar os viajantes a deixarem o país dentro do prazo estabelecido pelas autoridades migratórias.
A política é direcionada especialmente a países que, segundo os Estados Unidos, apresentam taxas elevadas de permanência irregular, problemas no compartilhamento de informações, dificuldades na verificação de identidade e antecedentes criminais, além de deficiências nos sistemas de segurança documental e emissão de cidadania.
Com as novas medidas, a administração Trump amplia a fiscalização sobre estrangeiros que já estão nos Estados Unidos e também sobre pessoas que pretendem obter autorização para entrar no país.
