A Polícia Federal (PF) apreendeu, nesta quarta-feira (8/7), a última arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, concluindo o recolhimento do arsenal determinado pela Justiça. A espingarda estava com um morador de Cachoeirinha (RS), que decidiu entregá-la espontaneamente à corporação, mas os agentes precisaram ir até a residência para realizar a apreensão, já que o transporte do armamento dependia de regularização.
A apreensão ocorreu no mesmo dia em que a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro para verificar o cumprimento da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que condicionou a manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente à entrega de todas as dez armas registradas em seu nome. Moraes também determinou o cancelamento do Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Bolsonaro.
Divergências sobre o paradeiro das armas
A operação foi motivada por divergências entre as informações apresentadas pela defesa e os registros oficiais sobre o paradeiro de parte do armamento. Na decisão, Moraes afirmou que as inconsistências tornaram a busca necessária para assegurar que não restavam armas em posse do ex-presidente. “A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida”, escreveu o ministro.
Na segunda-feira (6), o Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília informou ao STF que havia entregue à PF seis das oito armas registradas em nome de Bolsonaro que estavam sob sua custódia. No entanto, duas delas não foram localizadas no quartel, levando Moraes a determinar que todo o arsenal fosse apresentado à Polícia Federal no prazo de 48 horas.
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No dia seguinte, a defesa do ex-presidente informou que uma das armas, uma pistola Glock, havia sido apreendida anteriormente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Em relação à espingarda da Maestro Arms Company, os advogados afirmaram que ela havia sido dada de presente a Bolsonaro e permanecia armazenada, desde a aquisição, em uma loja especializada em Caxias do Sul (RS), sugerindo que o STF consultasse a empresa para confirmar a informação.
Após a localização da espingarda em posse de um morador de Cachoeirinha, a Polícia Federal concluiu o recolhimento das dez armas registradas em nome do ex-presidente. Mais cedo, o advogado João Henrique Freitas confirmou a realização da operação na residência de Bolsonaro e afirmou que nenhum armamento foi encontrado no local. “É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, declarou.
