Brancos ainda dominam candidaturas e dinheiro eleitoral, aponta relatório do TSE

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Um estudo divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) escancara a desigualdade racial na política brasileira. O relatório, que analisa dados de 2014 a 2024, mostra que pessoas brancas ainda são maioria nas candidaturas a cargos majoritários, como prefeito e senador, mesmo com leve queda ao longo dos anos.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Atualmente, candidatos brancos representam 61,3% dessas disputas. Já pessoas negras (pretas e pardas) somam 45,5%, enquanto indígenas e amarelos seguem com participação inferior a 1%.

Nos cargos proporcionais, como deputados e vereadores, houve avanço maior da diversidade, mas o cenário ainda é desigual. O estudo aponta que o sistema político mantém “mecanismos invisíveis” que dificultam o acesso equilibrado ao poder.

Mesmo com regras que determinam a divisão proporcional do Fundo Eleitoral, candidatos brancos continuam concentrando mais recursos e apresentando maior eficiência no uso do financiamento. Em 2022, quase 90% dos que receberam verba utilizaram os recursos, índice superior ao de outros grupos.

O relatório também identificou aumento de políticos que mudaram sua autodeclaração racial entre eleições, especialmente após 2020, quando políticas afirmativas passaram a influenciar a distribuição de recursos.

Apesar de avanços nas regras e maior presença de candidatos negros, a desigualdade persiste, especialmente no acesso a financiamento e nas chances reais de eleição.

O estudo reforça que diversidade nas candidaturas não garante, por si só, igualdade de disputa nas urnas.