Brasil e Estados Unidos fecharam um acordo de cooperação para o combate ao tráfico de armas e drogas. A parceria, denominada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), integra esforços de inteligência e operações conjuntas entre a Receita Federal e a agência de fronteiras americana (U.S. Customs and Border Protection).
O anúncio foi feito pelo governo brasileiro nesta sexta-feira (10). A iniciativa está inserida no diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump e faz parte de uma agenda mais ampla de cooperação bilateral contra o crime organizado transnacional.
Como parte do acordo, a Receita Federal lançará o sistema “Desarma”, uma ferramenta informatizada que ampliará a capacidade de rastreamento internacional de armas. O programa prevê o compartilhamento estruturado e em tempo real de informações entre os dois países sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, explosivos e outros itens sensíveis.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que, se a prevenção não for suficiente para impedir o envio de armas ao Brasil, o sistema notificará as autoridades norte-americanas.
“Vai haver uma notificação de volta para as autoridades norte-americanas, identificando qual o tipo de arma, de onde chegou, para que eles melhorem os procedimentos e sigam entregando melhores informações. Há grande reciprocidade”, afirmou.
De acordo com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, foram interceptados em portos e aeroportos brasileiros cerca de meia tonelada de armas nos últimos 12 meses, além de 1,5 tonelada de drogas, principalmente sintéticas e haxixe.
O acordo ocorre em um momento em que os Estados Unidos avaliam classificar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. Oficialmente, porém, o governo americano não se pronunciou sobre a possibilidade.
