Cientistas franceses desenvolveram um anticorpo chamado NP137 que pode ajudar a combater a resistência do câncer de pâncreas à quimioterapia, um dos tumores mais agressivos e com menor taxa de sobrevida no mundo.

A descoberta foi feita por pesquisadores do CNRS e do Centro Léon Bérard, na França, e publicada na revista científica Nature. Em testes clínicos iniciais, o anticorpo foi usado junto à quimioterapia e mostrou potencial para melhorar a resposta ao tratamento, reduzir a progressão da doença e aumentar a sobrevida de pacientes em estágio avançado.
O NP137 atua bloqueando mecanismos que permitem que as células cancerígenas se tornem mais resistentes e se espalhem pelo corpo. Segundo os pesquisadores, a substância pode ainda ser combinada com o medicamento daraxonrasib, que age sobre mutações do gene KRAS, presentes em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas.
Em um estudo com 43 pacientes, não foram observados sinais de toxicidade relevantes, e alguns casos apresentaram redução do tumor e maior controle da doença. Os resultados também indicam aumento no número de pacientes que podem ser submetidos à cirurgia após o tratamento.
Apesar dos avanços, a terapia ainda está em fase experimental e deve passar por novas etapas de testes antes de chegar ao uso amplo. A expectativa dos cientistas é que novas opções de tratamento mais eficazes possam estar disponíveis até 2027, abrindo caminho para mais chances de controle da doença.