A proposta de flexibilizar a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), permitindo que candidatos não dependam exclusivamente de autoescolas, segue avançando no Brasil. No entanto, entraves operacionais em Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) têm dificultado a aplicação prática da medida.

A nova regulamentação prevê a possibilidade de formação por instrutores autônomos, com registro das aulas em sistema nacional. A ideia é reduzir custos e ampliar o acesso à habilitação, rompendo com o modelo tradicional centrado nas autoescolas.
Apesar disso, na prática, candidatos ainda encontram obstáculos. Em diversos estados, o agendamento do exame prático continua condicionado à intermediação de autoescolas, o que impede a plena implementação do novo formato.
Especialistas apontam que o problema está na estrutura histórica dos Detrans, que, ao longo dos anos, delegaram etapas importantes do processo às autoescolas, desde a matrícula até a logística para exames. Essa dependência operacional dificulta a adaptação ao novo modelo e limita a concorrência prevista pelas mudanças.
Além disso, há indícios de resistência institucional em alguns estados, o que reforça o controle das autoescolas sobre o sistema. Segundo fontes ligadas ao setor, quem controla o agendamento dos exames acaba controlando o mercado de habilitação.
Mesmo com o avanço da proposta, o cenário atual ainda é de transição. Enquanto o governo busca baratear e modernizar o acesso à CNH, a implementação depende da adequação dos órgãos estaduais, que seguem como peça-chave para que a mudança funcione na prática.
A expectativa é que, com ajustes operacionais e maior padronização nacional, o novo modelo possa, de fato, ampliar o acesso à habilitação e reduzir custos para os brasileiros.