Os senadores do Amazonas Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM) integraram o núcleo de articulação política que sustentou a derrotada indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Com a rejeição do nome pelo Senado, na noite desta quarta-feira (29/30), os dois parlamentares passaram a dividir o desgaste político da derrota ao lado do principal padrinho da indicação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além de Braga e Omar, que trabalharam pela aprovação de Messias, compunham esse núcleo os senadores Renan Calheiros e Renan Filho (MDB-AL), além de Otto Alencar (PSD-BA).
Braga fez articulações visíveis, como a retirada do senador Sérgio Moro (União Brasil) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que faria a sabatina de Messias. Como líder do bloco, trocou Moro por Renan Filho, aliado político.
Aziz e Braga atuaram em conversas de bastidor e participaram da tentativa de consolidar maioria favorável ao indicado do Palácio do Planalto, mas esbarraram na condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que comandou a rejeição.
A votação secreta impediu a identificação formal dos votos. Ainda assim, a movimentação política anterior à sessão colocou os dois entre os principais defensores da escolha de Lula. Já o senador Plínio Valério (PSDB-AM) era apontado como voto contrário.
A posição de Braga e Omar também será avaliada devido à dobradinha política que mantêm com Alcolumbre. Há duas semanas, Braga articulou mudanças na CPI do Crime Organizado que resultaram na rejeição do relatório que pedia o indiciamento de autoridades.
Líder do PSD, Omar Aziz é interlocutor frequente de Alcolumbre e atuou junto ao governo em pautas como a liberação da licença ambiental para exploração de petróleo na margem equatorial.
A derrota ocorreu após semanas de dificuldade na formação de maioria e foi interpretada como demonstração de autonomia do Senado diante do Executivo. Para Omar Aziz e Eduardo Braga, o episódio cria um cenário de reavaliação política.