O tabagismo voltou a crescer entre jovens brasileiros, acendendo um sinal de alerta para a saúde pública. Após anos de queda, os dados do Vigitel Brasil mostram que a proporção de fumantes subiu de 9,2% em 2023 para 11,5% em 2024, movimento atribuído, principalmente, ao avanço do cigarro eletrônico, o chamado vape.

Especialistas apontam que o dispositivo, muitas vezes visto como alternativa “menos prejudicial”, pode conter até 20 vezes mais nicotina do que o cigarro tradicional, aumentando o risco de dependência e doenças graves. A substância, altamente viciante, está diretamente ligada a inflamações crônicas e danos pulmonares.
O impacto já aparece em histórias reais. A influenciadora Laura Beatriz Nascimento, de 28 anos, desenvolveu câncer de pulmão após migrar para o cigarro eletrônico na tentativa de parar de fumar. Parte do pulmão precisou ser retirada. Hoje, após mais de um ano sem fumar, ela usa as redes sociais para alertar sobre os riscos.
O cigarro libera mais de 5 mil substâncias tóxicas no organismo, contribuindo para doenças como câncer, problemas cardíacos e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). No Brasil, o tabagismo causa mais de 145 mil mortes por ano.
Além do impacto na saúde, o custo também é elevado: cerca de R$ 153,5 milhões anuais para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar disso, estratégias simples podem ajudar. Estudos indicam que uma conversa de poucos minutos com profissionais de saúde pode reduzir significativamente o número de fumantes. Ainda assim, milhões de brasileiros passam por consultas sem receber orientação.
Enquanto políticas públicas enfrentam desafios, incluindo o avanço do mercado ilegal, especialistas reforçam: informação e prevenção continuam sendo as principais armas contra o tabagismo na era do vape.