A Polícia Civil de São Paulo pediu acesso a informações sigilosas de Karina da Gama Ferreira, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo informações do Metrópoles, a investigação apura suspeitas de fraude em um contrato milionário firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista.
Segundo os investigadores, os possíveis crimes analisados incluem fraude em licitação, irregularidades na execução contratual e desvio de verbas públicas.
O acordo firmado com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) previa a instalação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet. O contrato tem valor estimado em R$ 108 milhões.
A investigação foi aberta após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), baseada em reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil. Um dos pontos investigados é a suspeita de que recursos do contrato possam ter sido utilizados para financiar o filme Dark Horse.
Entre as irregularidades apontadas está o fato de o Instituto Conhecer Brasil ter sido o único participante do edital, que, segundo o Tribunal de Contas do Município, apresentaria ao menos 20 falhas.
Também chamou a atenção dos investigadores o histórico da entidade, criada originalmente para atuar na organização de feiras e eventos religiosos, sem experiência conhecida na área de telecomunicações.
Outro ponto sob suspeita envolve os valores pagos pelo serviço. De acordo com o Ministério Público, o ICB cobrava cerca de R$ 1.800 por ponto de Wi-Fi instalado, enquanto a empresa municipal Prodam realizava serviço semelhante por aproximadamente R$ 230 por unidade.
A Polícia Civil investiga possível sobrepreço e pagamentos que podem ter chegado a R$ 26 milhões por serviços supostamente não executados.
O caso começou a ser analisado pelo Ministério Público Federal, que posteriormente enviou a investigação ao Ministério Público do Estado de São Paulo após concluir que não havia indícios de uso de recursos federais.
A reportagem informou que procurou Karina da Gama Ferreira para comentar as investigações, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria.