A defensora pública Carol Braz afirmou que o projeto de lei que propõe equiparar a misoginia ao crime de racismo representa um avanço no combate à violência contra a mulher. Durante entrevista na bancada do telejornal Onda News, da TV Onda Digital, nesta terça-feira (7/4), ela explicou que a proposta não se refere a qualquer tipo de conduta, mas a manifestações discriminatórias que incentivam a violência e o feminicídio.
“Esse projeto ele vem equiparar a misoginia ao crime de racismo e não é qualquer atitude são atitudes discriminatórias atitudes que incitam a violência incitam o feminicídio e que desmerecem e que tratam ali a mulher com um preconceito, não é qualquer preconceito, são frases como: toda mulher tem que morrer; essas mulheres não servem para nada; mulher não pode entrar no mercado de trabalho; frases que impedem as mulheres realmente de exercer a sua autonomia”, destacou.
Segundo a defensora, a criação de um tipo penal específico é fundamental para viabilizar políticas públicas e enfrentar movimentos que promovem o ódio contra mulheres.
“Isso já está previsto na constituição, então é muito importante que a gente tenha um tipo penal para você poder começar a estabelecer políticas públicas, aqui para a gente corrigir movimentos, como o movimento redpil, que tem preocupado muito. A gente viu um estupro coletivo, onde um dos acusados foi para a delegacia utilizando uma camisa ‘não me arrependo de nada’. A camisa é muito divulgada dentro dos movimentos redpil”, afirmou.
Carol Braz ressaltou ainda que o feminicídio é resultado de uma estrutura social que normaliza a violência e o desrespeito à mulher. “O feminicídio não começa com o tiro, com a facada. O feminicídio começa com essa estrutura machista da sociedade que normalizou a violência contra mulher, que normalizou tratar a mulher como inferior ou tratar a mulher como um ser que não tem autonomia”.