
As doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, vão muito além dos sintomas digestivos. Especialistas alertam que a inflamação causada por essas condições pode atingir diferentes órgãos e sistemas do corpo.
Além do intestino, as manifestações podem afetar a pele, as articulações, os olhos, os ossos e a boca. Em alguns pacientes, esses sinais surgem antes mesmo do diagnóstico da doença.
Um levantamento do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (Gediib), realizado entre 2020 e 2022, acompanhou 1.179 pacientes. Os dados mostram que cerca de 21% apresentaram manifestações extraintestinais, evidenciando o alcance sistêmico da condição.
Entre as complicações mais frequentes estão dores articulares, lesões na pele, aftas recorrentes e inflamações oculares. Em casos mais graves, os problemas nos olhos podem provocar sensibilidade à luz, visão embaçada e até perda da visão.
Os impactos da doença também atingem a saúde mental dos pacientes. Estudos apontam índices elevados de ansiedade e depressão, frequentemente associados às limitações impostas pelos sintomas na rotina.
A condição ainda pode comprometer o desempenho profissional e acadêmico, especialmente entre adultos jovens, faixa etária mais afetada pelas doenças inflamatórias intestinais. As crises e os tratamentos contínuos costumam gerar impactos significativos na qualidade de vida.
Embora ainda não exista cura, os avanços terapêuticos têm permitido maior controle da inflamação e das complicações associadas. Médicos reforçam que o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para garantir bem-estar e preservar a qualidade de vida dos pacientes.