Em meio à persistente crise econômica e ao aumento do custo dos alimentos na Argentina, com a inflação de março chegando a 3,5%, os consumidores locais estão experimentando um fenômeno incomum no setor alimentício: a ampliação do consumo de carne de burro.
Conhecidos pelo alto consumo de carne bovina, sobretudo nas famosas parrilhadas, os argentinos têm dificuldade de comprar um quilo de carne por, no mínimo, 25 mil pesos argentinos, o equivalente a R$ 125. Embora longe de representar uma mudança estrutural na dieta local, a tendência vem chamando atenção de produtores, comerciantes e consumidores, especialmente em áreas onde a inflação e a queda do poder de compra pressionam o acesso às carnes tradicionais.
Em províncias como Chubut e outras regiões do interior, pequenos experimentos comerciais têm colocado a carne de burro no mercado como uma opção alternativa à carne bovina, cujo preço segue elevado para grande parte da população.
Alguns açougues e iniciativas gastronômicas relatam que o produto tem sido adquirido por consumidores curiosos ou motivados pelo custo mais baixo em comparação com cortes tradicionais. Em determinados casos, lotes reduzidos chegaram a esgotar rapidamente, indicando interesse pontual, embora não massivo.
A Argentina atravessa há anos um cenário de inflação elevada e perda de poder de compra, o que impacta diretamente o consumo de proteínas animais. Nesse contexto, parte da população busca alternativas mais acessíveis, fenômeno já observado com outras proteínas de menor custo ou menor presença cultural no mercado local.
Especialistas em economia alimentar apontam que esse tipo de mudança tende a ocorrer em momentos de pressão econômica prolongada, quando consumidores reavaliam hábitos alimentares diante da restrição orçamentária.
Apesar da aparição do produto em alguns mercados, o consumo de carne de burro enfrenta forte resistência cultural. No imaginário argentino, animais como burros e cavalos estão tradicionalmente associados ao trabalho rural e não à alimentação.