Estudo brasileiro mostra que rede ajuda prematuros a ganhar mais peso na UTI neonatal

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Um estudo conduzido por cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Santa Casa de Misericórdia de Sobral, constatou que bebês prematuros internados em unidades neonatais ganham mais peso quando dormem em redes. A pesquisa foi publicada no Jornal de Pediatria e aponta que o posicionamento terapêutico em rede, sob monitoramento rigoroso, pode ser uma estratégia complementar para o desenvolvimento desses recém-nascidos.

O trabalho dividiu 60 prematuros em quatro grupos: um permaneceu duas horas por dia em rede; outro recebeu sessões diárias de hidroterapia (banho de imersão por 15 minutos); um terceiro combinou as duas intervenções; e o quarto grupo controle recebeu apenas os cuidados habituais da unidade neonatal.

Após 15 dias, todos os bebês ganharam peso, mas os resultados mais expressivos foram nos que usaram a rede. O grupo controle ganhou, em média, 305 gramas. Os submetidos apenas à hidroterapia ganharam 346 gramas. Já os que dormiram em rede ganharam cerca de 360 gramas. O maior aumento foi observado na combinação rede e hidroterapia: 616 gramas, o dobro do grupo controle.

A hipótese dos pesquisadores é que o relaxamento proporcionado pela rede ajuda o prematuro a ganhar peso e se desenvolver. “A tese é que o uso da rede, de forma isolada ou associada à hidroterapia, atua simulando características do ambiente intrauterino perdidas precocemente por esses bebês”, explica o pediatra Francisco Plácido Arcanjo, professor da UFC em Sobral e um dos autores.

O formato côncavo da rede e o tecido de algodão mantêm o recém-nascido mais contido e aquecido, fator crucial, já que prematuros têm termorregulação imatura e gastam muita energia apenas para manter a temperatura corporal. Além disso, a posição suspensa reduz pontos de pressão e estímulos dolorosos. As duas horas diárias de uso foram programadas entre os procedimentos de rotina (aferição de sinais vitais, trocas de fralda), favorecendo um sono mais profundo.

Os pesquisadores ressaltam que a rede não substitui o método canguru (contato pele a pele com os pais). “É uma alternativa complementar nos momentos em que a família não está presente na unidade neonatal”, observa a neonatologista Romy Schimidt Brock Zacharias, do Einstein Hospital Israelita.

Além disso, a técnica só deve ser aplicada em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso. “Não é possível recomendar a prática em casa, pois o prematuro tem maior risco de intercorrências clínicas, que podem não ser prontamente identificadas pela família”, alerta Arcanjo. Mesmo no hospital, é preciso atenção para que o tecido não cubra o rosto do bebê ou permita movimentos que dificultem a respiração.

No Brasil, entre 10% e 12% dos nascimentos são prematuros, de 300 mil a 340 mil por ano, segundo o Ministério da Saúde. Estratégias que favoreçam o crescimento e a estabilidade clínica desses bebês são consideradas prioritárias.

Bebê em redeterapia (Foto: Divulgação / Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes)