Os Estados Unidos propuseram ao Brasil um acordo de cooperação em minerais críticos que pode impactar diretamente a cadeia produtiva nacional. A proposta, apresentada em fevereiro, inclui discussões sobre preços mínimos, investimentos em refino e transferência de tecnologia para o território brasileiro.
O modelo é semelhante a acordos já firmados pelos EUA com países como a Austrália, mas com diferenças relevantes. Entre elas, está a ausência de um valor mínimo garantido de investimento, o que, segundo fontes, reduz o nível de compromisso financeiro direto por parte dos americanos.
Um dos pontos que mais geram debate dentro do governo brasileiro é um trecho que prevê “prioridade” para investimentos dos EUA em projetos considerados estratégicos. Embora o governo americano negue que se trate de exclusividade, integrantes do governo veem o dispositivo como sensível, por levantar dúvidas sobre eventual preferência a investidores estrangeiros.
A proposta também prevê a aceleração de processos de licenciamento e a criação de mecanismos de proteção de mercado, como a possibilidade de estabelecer preços mínimos para minerais críticos, medida considerada importante para garantir previsibilidade e atrair investimentos de longo prazo.
Apesar disso, o acordo ainda não foi assinado. O tema segue em análise no Palácio do Planalto, onde enfrenta resistências por questões econômicas e geopolíticas, incluindo a relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial brasileiro.
A avaliação interna é de que o cenário político e internacional ainda não é favorável para a formalização do acordo.