Falta de quimioterapia essencial obriga médicos a mudar tratamentos no Brasil

0

A escassez da ciclofosfamida endovenosa, um dos principais medicamentos usados no tratamento de câncer e doenças autoimunes graves, tem forçado hospitais em todo o país a adaptar protocolos, nem sempre com resultados equivalentes.

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Utilizada há décadas, a droga é peça-chave em terapias contra câncer de mama, doenças hematológicas, lúpus e vasculites. Sua ausência impacta diretamente pacientes, podendo levar à mudança de esquemas, uso de alternativas menos eficazes ou até interrupção de tratamentos.

Para contornar o problema, médicos têm recorrido à versão oral da ciclofosfamida ou substituições com outros medicamentos, como carboplatina, rituximabe e micofenolato mofetil. No entanto, especialistas alertam: essas opções nem sempre oferecem o mesmo resultado clínico e exigem avaliação individual.

Em casos mais críticos, como tumores pediátricos e transplantes de medula óssea, não há substitutos ideais, o que aumenta o risco para pacientes.

Segundo especialistas, o desabastecimento reflete um problema global: medicamentos antigos, baratos e fora de patente têm poucos fabricantes, tornando a produção vulnerável a falhas.

O Ministério da Saúde informou que realizou compras emergenciais e tenta acelerar a importação para normalizar o estoque. A previsão é de melhora gradual ao longo de 2026.

Enquanto isso, médicos seguem adaptando tratamentos em tempo real, um cenário que expõe fragilidades no sistema de saúde e preocupa especialistas.