O rapper Kanye West, atualmente conhecido como Ye, foi proibido de entrar no Reino Unido, segundo o Home Office, o equivalente ao Ministério do Interior britânico. O músico havia solicitado permissão para viajar ao país por meio de uma Autorização Eletrônica de Viagem (ETA) na segunda-feira (6), mas o pedido foi negado nesta terça-feira (7).
Segundo as autoridades, a decisão se baseia no argumento de que a presença de Kanye West no território britânico “não é favorável ao interesse público”. O artista era a atração principal planejada para o Wireless Festival, marcado para julho, em Londres.
Nos últimos anos, Kanye West tem sido alvo de críticas generalizadas por declarações consideradas antissemitas, comentários de teor racista e elogios ao nazismo. Entre os episódios mais polêmicos, estão falas em que demonstrou admiração por Adolf Hitler, o lançamento de uma música intitulada “Heil Hitler” e a divulgação de produtos com símbolos nazistas em seu site.
Diante da repercussão negativa, o artista chegou a publicar um pedido de desculpas em um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal, no início do ano, atribuindo parte de seu comportamento ao transtorno bipolar. Em comunicado recente, ele afirmou estar disposto a dialogar com representantes da comunidade judaica no Reino Unido: “Sei que palavras não são suficientes. Preciso mostrar mudança por meio de ações.”
A contratação de Kanye West para o Wireless Festival já vinha gerando forte reação negativa. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticou publicamente a escalação do rapper. “É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua homenagem ao nazismo”, disse Starmer em comunicado ao jornal The Sun.
A pressão também veio dos patrocinadores. A Pepsi cancelou o patrocínio ao festival no último domingo (5), encerrando uma parceria de mais de uma década. O evento era oficialmente conhecido como “Pepsi MAX Presents Wireless” desde 2015. Pouco depois, a Diageo, proprietária das marcas Johnnie Walker e Captain Morgan, também anunciou sua saída. Um porta-voz do PayPal disse à agência Reuters na segunda-feira (6) que sua marca não aparecerá em nenhum material promocional futuro do Wireless.
