Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que será disputada no México, Estados Unidos e Canadá, e 12 anos após o Brasil sediar o Mundial de 2014, parte das promessas de infraestrutura anunciadas para Manaus como legado do evento, seguem incompletas ou distantes dos resultados projetados.
A principal obra da cidade para a Copa foi a Arena da Amazônia, inaugurada em março de 2014, ao custo de mais de R$ 600 milhões. Construída para receber jogos do Mundial, a arena passou a ser utilizada de forma esporádica após o torneio, principalmente para partidas de futebol e eventos pontuais, mantendo elevados custos de manutenção para os cofres públicos.
O legado esportivo foi uma das justificativas para a construção do estádio. A expectativa era fortalecer o futebol local e recolocar um clube amazonense na elite nacional. Embora o Amazonas FC tenha alcançado a Série B do Campeonato Brasileiro, o avanço ocorreu anos depois e sem relação direta com os investimentos feitos para a Copa.
Por exigência da Fifa, o Governo do Estado também construiu dois centros de treinamento: um na reformada Colina e outro no estádio Carlos Zamith. As estruturas tiveram uso limitado nos primeiros anos, mas o Zamith ganhou maior relevância ao se tornar a casa do Amazonas FC.
Na área de mobilidade urbana, o principal projeto era o monotrilho de Manaus, planejado para ligar diferentes zonas da cidade. Com orçamento superior a R$ 1 bilhão, a obra foi incluída na matriz de responsabilidades da Copa, mas enfrentou questionamentos de órgãos de controle e do Ministério Público Federal. Em 2013, decisões judiciais barraram o financiamento da Caixa Econômica Federal e o projeto acabou abandonado. Mais de R$ 5 milhões foram gastos apenas em estudos preliminares.
Outras intervenções previstas também sofreram alterações. Parte das obras de mobilidade foram canceladas ou reduzidas, concentrando-se em melhorias no entorno da Arena da Amazônia para atender à demanda dos jogos.
No turismo, o impacto inicial da Copa não se sustentou ao longo dos anos. Para atender às exigências da Fifa, Manaus ampliou sua rede hoteleira para mais de 8 mil unidades habitacionais. Após os Jogos Olímpicos de 2016, diversos empreendimentos abertos para o Mundial foram vendidos ou encerraram as atividades.
A diferença no fluxo de visitantes ilustra esse cenário. Em 2014, o Amazonas recebeu cerca de 1,1 milhão de turistas, impulsionado pela Copa. Em 2025, o estado registrou aproximadamente 460 mil visitantes, número considerado recorde no período pós-Mundial, mas ainda distante do movimento observado durante o evento esportivo.