As facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passaram a integrar oficialmente, a partir desta sexta-feira (5), a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) do governo dos Estados Unidos.
A classificação coloca PCC e CV na mesma arquitetura jurídica usada para combater grupos terroristas internacionais e cartéis de drogas. Segundo o Departamento de Estado, as facções estão entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil e sua atuação ultrapassa as fronteiras nacionais, afetando interesses de segurança dos EUA.
Com a nova classificação, a legislação americana passa a permitir a responsabilização criminal de indivíduos ou empresas que forneçam qualquer tipo de apoio material às facções, incluindo financiamento, transporte, logística e treinamento.
Órgãos como FBI e Departamento de Justiça ganham bases legais adicionais para conduzir investigações relacionadas ao terrorismo envolvendo PCC e CV. Pessoas ou empresas que mantenham relações financeiras com integrantes das facções poderão ser alvos de sanções, processos criminais e até deportação.
O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que havia solicitado pessoalmente a Trump o enquadramento das facções como terroristas. Já o presidente Lula manifestou preocupação com os possíveis efeitos da medida e defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral sem a necessidade da classificação.
A medida faz parte de uma nova estratégia de contraterrorismo dos EUA, que amplia o conceito tradicional de terrorismo para incluir cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais.
