O Irã passou a cobrar um “pedágio” de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) por viagens de navios comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz, a rota marítima mais estratégica para o comércio global de petróleo. A medida, implementada nos últimos dias, foi confirmada por Alaeddin Boroujerdi, membro do Parlamento iraniano, que definiu a iniciativa como um “novo conceito de soberania” na região após décadas.
O estreito, única ligação entre o Golfo Pérsico e os oceanos, é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido mundialmente, grande parte com destino à China, Índia e outros países asiáticos. A nova taxa representa uma escalada nas tensões no Oriente Médio e acende um alerta para os mercados globais de energia.
Desde o início do conflito na região, o Irã já mantinha o estreito parcialmente bloqueado, permitindo a passagem apenas de navios autorizados. Agora, com a imposição da taxa, Teerã institucionaliza o controle sobre uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo.
Em comunicado, o quartel-general das Forças Armadas iranianas declarou estar pronto para bloquear a passagem estratégica indefinidamente caso as ameaças norte-americanas se concretizem. Conforme o texto, o estreito só seria reaberto após a reconstrução das instalações eventualmente destruídas.
“Já declaramos repetidamente que o Estreito de Ormuz está fechado apenas para o inimigo e para trânsitos nocivos, e que ainda não foi completamente fechado; ele está sob nosso controle de inteligência e a passagem segura é permitida”, detalhou a nota militar.
No domingo (22), o governo do Irã informou que poderá fechar “completamente” o Estreito de Ormuz caso os Estados Unidos ataquem usinas de energia do país. A ameaça eleva o tom das tensões entre Teerã e Washington, que nos últimos meses têm trocado acusações sobre a escalada militar na região.
O pedágio imposto por navio comercial, inédito na história recente da rota, é visto por analistas como uma tentativa do Irã de pressionar economicamente as potências ocidentais e seus aliados, ao mesmo tempo em que reforça sua presença militar estratégica em um ponto de estrangulamento do comércio global.
Com a passagem diária de dezenas de navios-tanque pelo estreito, a cobrança tem potencial para impactar diretamente os custos do transporte marítimo e, consequentemente, o preço final do petróleo no mercado internacional.
