Uma pesquisa da Healthtech Conexa, em parceria com a faculdade Afya, divulgada neste sábado (2/5), mostrou que 78% dos médicos brasileiros utilizam inteligência artificial na prática clínica. Os dados são da pesquisa “Panorama do uso de IA em saúde: perspectiva do médico e do paciente”, realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 e que ouviu 551 médicos e 511 pacientes em todo o país e apresenta nível de confiança de 95%, com margem de erro de 4 pontos percentuais.
A pesquisa aponta que a adoção da tecnologia é massiva, mas a supervisão humana continua inegociável. Prova disso é que 63% dos médicos afirmam já terem corrigido um erro gerado por ferramenta de inteligência artificial antes de usar as informações no atendimento clínico.
Médicos com maior familiaridade com ferramentas digitais (73%) são justamente os que mais relatam inconsistências geradas pela IA e, ao mesmo tempo, os que mais conseguem identificá-las e corrigi-las antes de aplicar qualquer orientação, indicando um uso mais consciente e crítico.
A tecnologia tem sido incorporada principalmente como apoio à decisão clínica. Entre os usos mais comuns, 74% dos médicos recorrem à IA para pesquisar medicamentos e interações medicamentosas, como assistentes para dúvidas clínicas (66%) e para buscar por evidências científicas (58%), sinalizando que a ferramenta serve, sobretudo, para embasar decisões e reduzir incertezas na prática médica.
É o caso da médica de família e comunidade e professora da Afya de Manacapuru, Neane Magalhães, que utiliza ferramentas de IA para consulta de dúvidas rápidas sobre determinados casos. “É uma tecnologia boa, que facilita, mas que ainda está em processo de aperfeiçoamento. Por isso, sempre que identifico qualquer inconsistência recorro à literatura”, explica.
Entre os pacientes, apesar de 95% conhecerem a inteligência artificial e 79% já terem utilizado a tecnologia no dia a dia, ainda há resistência quando o assunto é saúde. Dos 49% que recorrem à IA nesse contexto, a maioria utiliza para tirar dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnósticos (66%), interpretar exames (55%) e obter informações sobre medicamentos (49%).